Monday, January 19, 2009

Bom senso pra viagem! E pra já!


Houve uma época de minha vida em que o verão era minha estação favorita. ERA.

Amava o calor mas acho que a idade faz a gente desgostar dele.

Em meus sonhos, férias deveriam ser no verão, SEMPRE! Hoje em dia prefiro estar trabalhando e viajar na chamada meia-estação: clima mais ameno, promoções e, além disso, vc economiza no ar e poupa os sofrimentos no calorão, já que no trabalho o ar é sempre agradável. E você foge da MUVUCA.

Adoro praia, mas fico meses sem ir. Preguiça, falta de companhia, falta de saco pra pegar um metrô, enfim, os mais variados motivos. E no verão isso se agrava pois a praia lota de domingo a domingo por conta das férias escolares e dos turistas.

Com todos estes defeitos a anta aqui ainda opta por ir à Ipanema. É uma praia próxima e limpa mas tem seus inúmeros problemas que a Barra tem em menor quantidade: turistas e gente favelada. Favelada em sentido lato, afinal, tem gente que vem de lá que se veste e se porta muito melhor que muita gatinha de ZS.

Domingo chego na praia, com amigos. LOTADA, mas foda-se. Preço da cadeira, barracas e bebidas completamente inflacionados. Mas não vou perder meu tempo comprando muita coisa em mercado, muito menos bebida. Não vou me indispor por causa de um real ou centavos e acabar bebendo água quente.

E é nesses momentos críticos e delicados que a falta de noção só aumenta.

Não bastasse a falta de bom gosto dos modelitos, bem como as incompatibilidades entre certos corpos e certos pedaços de pano, que eu acho extremamente agressivo aos olhos, vê-se gente de todo o tipo, brega ou chique desfilando num show de horrores na praia.

A algumas barracas da minha, vejo um bando de mocinhas ZS chegando. Bolsinhas a moda, biquinis carérrimos, cheia de bijus estilosas... pedem barracas, cadeiras e uma delas vai e me saca BLONDOR e começa a passar em pelos assustadoramente grandes na barriga, nas pernas e na virilha.

CARALÉO. Como alguém ainda usa blondor?

Me lembro da minha adolescência, via as meninas mais velhas passando aquilo pros pelos ficarem clarinhos e achava BIZARRO. Tomar sol com aquela pasta branca no corpo? Preferi raspar SEMPRE.

Cheio de "Pelo menos" e semelhantes espalhados pela cidade e com depilação a LASER barata e disponível como alguém nessa condição se presta a continuar peluda que nem um macaco e descolorindo pelos?? Uma morena ou mulata fazendo isso é bizarro, mas uma loura ou pseudo loura fazendo isso... é pior ainda. Chocante demais pra mim.

Do outro lado, mulheres com barriga fazendo prega e com dobras laterais usando biquini... fio dental e com lacinhos!! Sutiãs de cortininha que não comportam os peitos enormes. Cacilda, usa um maiô pombas! Eu que nunca fui obesa de verdade não fui à praia por anos por achar ridículo e quando comecei a ir, usava os biquinis mais comportados do mundo.

Hoje em dia considero que estou bem melhor e com um corpo razáovel e dentro do padrão mediano, mas nem por isso saio usando biquini de lacinhos, afinal, isso é idiota e infantil em uma mulher com mais de vinte e poucos anos.

E o que dizer de gente porca, MUITO porca? Custa levar uma porcaria de um saco plástico e recolher o próprio lixo e jogar fora? Eu coloco tudo numa sacola e levo na minha bolsa e jogo quando saio da praia.

A alguns metros de onde eu estava, uma barraca velha com uma família extremamente simples, pai, mãe e três crianças pequenas. Todas lanchando com a maior educação do mundo, sem farofa ou gritaria. A pequenininha, que não devia ter mais que dois anos acabou seu lanche levandou e foi jogar sozinha o guardanapo no lixinho da família.

Crianças obedientes, chegando na beira da água com os pais, sem correria ou gritaria. Pobres, mas limpos, dignos, uma família que merece palmas. Pai e mãe que provavelmente se preocuparam em por cidadãos no mundo.

Enquanto isso, crianças de evidente condição social correndo, jogando areia nos outros e fazendo pirraça. Teve um que na segunda vez eu peguei pelo pé e gritei:

- Volte aqui!!!

O moleque obviamente chamou a mãe e fui falar com ela:

- Mas ele tem só 6 anos!!

- Por isso mesmo. Seu filho não é retardado nem doente mental. Tá vendo que a praia tá cheia não pode andar devagar? Precisa correr? Encheu minha cara de areia e minha canga e não foi a primeira vez. Olha a família ali do lado. TRÊS crianças e estão todas quietas.

- Ah mas é criança.

- OK. Se ele fizer isso mais uma vez, passarei correndo do lado de sua canga e ficamos quites. Eu posso alegar insanidade mental.

E virei as costas. A mãe ficou revoltada mas o menino entendeu o recado e passou a transitar com educação na minha frente, o que retribuí com sorrisos.

E o que dizer de mães de recém nascido sem noção? Tem umas que acabaram de parir, ainda não recuperaram a forma antiga, não se cuidaram na gravidez e acham que porque são mães podem tudo, inclusive por o biquini de lacinho de 15 quilos a menos.

E o que dizer de amamentar na praia? No meio daquela FAROFA por o peito que alimenta o filho, sujo de areia e água salgada na boca da criança assim do nada? Sem sequer cobrir a cabeça dele e o peito com uma fraldinha? FALA SÉRIO.

E pior deixam a criança chorar, berrar, se esgoelar! Num sol de quase 40 graus ao MEIO DIA na praia de Ipanema? Juro, tinha que ter uma polícia pra isso, tinha que multar! Coitada das crianças! Ficam fritando os miolos com menos de 1 ano de idade na praia depois perguntam porque viraram adultos complicados.

Mas o inferno sem continua, todas as pessoas sem noção estão aqui.

Praia lotada, mar razoavelmente agitado embora não esteja puxando e as pessoas não se mancam. Dois babacas batendo bola numa faixa próxima a minha. Mães deixando crianças soltas e depois desesperando atrás delas. Gente com PRANCHAS na água kct!! E gente tentando pegar jacaré mesmo vendo que tem duas filas de pessoas na frente.

Eu obviamente opto por ficar mais atrás, onde não da pé e esse povo tado, que obviamente não sabe nadar, não chega.

Mas ainda assim é uma praia. Da próxima vez fodam-se os outros.

Eu vou é ficar na Farme mesmo, ali do lado das bandeirinhas. coloridas Falem mal o que quiser deles, mas ali não entra farofeiro, pois farofeiro é preconceituoso. Todo mundo ali ou é bonito e se veste adequadamente ou tem noção. Todos são educados. E o bom, não aparece mané pra dar cantada na gente.

Definitivamente prefiro aturar ver homens de mãos dadas ou se beijando do que gente mal-educada e sem noção.

Humpf.

Sunday, January 18, 2009

Concluindo a ressaca

Zíngara, Falonada e Roney, obrigada pela preocupação mas estou viva!

Sobrevivi sabe-se lá como mas tive um dia canino ontem. Até o modesto cafezinho caiu mais ácido que H2SO4 no meu pobre estômago. Coca-Cola? hahahahahaha

Quanto à ressaca me questiono, ela não deveria atacar o fígado? Meu fígado vai bem obrigada...

O enjôo tá passando, acho que vou conseguir comer melhor agora.

Mas confesso que tomei um vinhozinho pois, o pai do meu amigo, avisado que eu gostava, fez questão de abrir uma garrafa de viho verde pra mim, já que não bebo birita e tomei um copinho e estava muito bom.

Mas depois parei, principalmente depois que percebi que eles queriam que eu bebesse mais pois estava dando uma surra na sueca em todo mundo - inclusive nele. Mas no final do dia fizemos as pazes e ele jogou comigo. Ganhamos.

Aliás, que dia de jogo.

Levar um ÁS e uma 7 de copas com um simplório 3 de paus na última rodada faz bem não só para o ego como para a alma. Que saudades dos tempos de engenharia.

E o bom, rever conhecidos da faculdade e vários calouros meus, chega a ser estranho, todo mundo mais velho e com filho e quase ninguém me reconhecendo o que é ótimo, sinal que estou longe de lembrar o ser bizarro que eu era em 94/96.

Bem é isso vou correr. 40 aí vou eu!

Saturday, January 17, 2009

Confessando a ressaca

Não sou de beber, nem amante da bebida, mas amo vinho, champagne e afins. De boa qualidade, sempre, SECO (vinho doce é coisa de mulherzinha) e nada muito pesado.

Adoro vinho. Nas minhas últims viagens, Argentina e Europa, mais especificamente na França, tomei vinho religiosamente todos os dias. Muitas vezes meia garrafa no almoço e no jantar, todos nacionais de boa qualidade. Malbecs, Bordeaux, Cabernets, Carmenéres, Shiraza, meus favoritos.

E drinks com champagne SEMPRE na França. Bebida aliás que entorno em casamentos como se fosse água e me sinto maravilhosamente hidratada...

Apesar de meus anos de experiência com minha bebida favorita, mais de 15 pelo menos, eu simplesmente desaprendo a beber quando estou com amigos.

Eu sou a pessoa mais bizarra do mundo em certas horas. Não posso comer japa por causa da alga, tenho intolerância. Não consigo digerir leite, logo, laticínios detonam meu estômago. E devo ter intolerância à uva Merlot. Só pode!!!!

Toda santa vez que bebo algum vinho desta uva ou que leve a mesma no meio, já era.

Posso beber qualquer coisa, até Miolo que fico numa boa, mas Merlot, não importa a qualidade me derruba, e ontem não foi diferente.

Jantar com amigos, 3 garrafas de vinho, 3 pessoas que bebem a sério. E tinha Merlot na primeira, mas por insistência (é frescura) acabei tomando. Não sei porque cismo que essa uva me amarga... e os vinhos seguintes, todos do meu agrado não caíram tão bem quanto de costume.

Moral da história, 9 da matina e enjoada. AINDA.

Meu estômago está um mar revolto, me sinto mareada e nem consigo olhar pra comida.

E hoje tem aniversário de amigo. Homem.

Churrasco.

Tofu.

Sol lindo lá fora, meus planos de praia hoje foram por água abaixo, já que é tarde pra ir e a festa é na hora do almoço.

Sabem o que é pior?

Amanhã vai ser o mesmo dia lindo.

E como é churrasco de pessoas maduras... vai ter vinho. E eu vou fazer merda.

Vou beber pra ser educada e estarei de ressaca de novo amanhã...

Ai.

Thursday, January 15, 2009

Gente sem noção! Parte 2


Continuando o assunto do post anterior, que sempre dá muito pano pra manga, pernas e até meias, acho que pior do que os sem noção ali citados são aqueles que estão no seu local de trabalho ou nas proximidades.

Imagine a situação de quem trabalha em uma grande empresa, daquelas que ocupam o prédio inteiro. Convive-se com uma gama variada de pessoas, encontra-se acom algumas na lanchonete, no banco, nos elevadores, na banca de jornal.

Em prol da boa convivência, dá-se bom dia, boa tarde, boa noite, comenta-se o mau tempo ou alguma outra amenidade, nada desconcertante ou que eu possa dizer que me incomoda.

Mas sempre tem o sem noção. Olhou um dia pro seu crachá, decorou seu nome e já puxa papo como se tivesse "a" intimidade com você. E eu odeio isso. COM TODAS as minhas forças.

E lá no meu trabalho rola isso direto e de certa forma a companhia parece até incentivar essas aproximações entre funcionários. Nunca vi um lugar pra sair tanto casamento e crianças como aqui. Dá até medo de beber a água do bebedouro.

Não tem uma colega minha que não tenha sido assediada por um cara sem noção. E quando falo sem noção é sem noção mesmo. Esqueçam aquela coisas de que amor sincero é cego surgo e mudo. Por mais fofa e amável nenhuma mulher, bonita, bem sucedida e razoávelmente bem cuidada iria dar mole um cara 20 cm mais baixo, barrigudo que mal consiga se experessar na língua nativa e que use pochete, por exemplo, concordam?

Pois eu tive o meu próprio stalker...

Cara estranho que me dava agonia. Esquisitão, magrelo (eu ODEIO gente magricela e me dá agonia ver gente ossuda) e parecia que não tomava banho, com um cabelo brilhando a sebo. Agoniante. Evitava cruzar os olhos. Toda vez que me olhava parecia que ele queria me tocar para chamar a atenção.

Uma certa época decidir malhar também na hora do almoço e ia sempre acompanhada de um amigo, conversávamos amenidades durante a horinha lá e uma certa época o indivíduo começou a malhar lá também. Olhava pra mim mas nem se aproximava pois me via sempre com meu amigo. Mas nos dias em que calhava dele não ir, fazia de TUDO pra chamar minha atenção.

Uma vez, estava eu correndo na esteira concentradíssima e ele coloca o mãozão na frente do painel e eu quase infarto - se nõ houvessem as barras laterais, teria caído. Noutra, estava no remador, concentradíssima, carga pesada e ele me CUTUCA nas costas pra falar comigo! Os braços bambearam e as 9 placas que eu estava puxando despencaram e fizeram um barulho imenso e a academia TODA parou para olhar.

- Nossa te assustei né?

- Acho que não é legal se cutucar uma pessoa que está concentrada nos pesos.

- Só queria dizer oi...

- OI.

Me virei e continuei a malhar e amaldiçaoava cada dia que meu amigo não ia. Como se não bastasse ser esquisitão e o cabelo nojento, parecia que não tomava banho! Chegava sempre com uma pastinha na mão e tava sempre com o mesmo short e a mesma blusa. BIZARRO.

Até que aconteceu o desastre: fiquei doente e não pude ir malhar uma semana inteira. No fim da semana ele chegou no meu amigo pe perguntou se "a namorada" não estava bem ele, tapadamente por nunca ter sacado a do cara disse não, ela não é minha namorada não, é uma amigona. Como quis matar o infeliz!!

Pronto. Segunda feira, de volta ao trabalho toca o telefone e eu atendo.

- Quem é?

- Oi é o fulaninho...

- Que fulaninho?

- Fulaninho, dai do seu trabalho, encontro com você sempre no elevador, malhamos na mesma academia...

(PQP ao quadrado!!)

- O que você deseja?

- É que você não veio na semana passada, aí falei com seu amigo, achando que era seu namorado, perguntei por você e ele disse que vc estava doente... aí procurei você no localizador de funcionários e resolvi ligar pra dar um oi e saber se você está melhor...

- Sim já estou ótima, tanto que voltei ao trabalho, aliás, to cheia de coisas pendentes, não posso demorar OK?

E desliguei. Que cara de PAU!!!

Depois dessa ele continuava... todo dia tentava chegar antes ou chegar atrasada pra não esbarrar com ele antes de começara malhar, mas não adiantava ele não se mancava. Chegou ao cúmulo de os professores perceberem que eu não estava agradando com as aproximações e toques dele e sugeriam pô cara ela ta pegando peso, espera ela falar, nessas horas a pessoa deconcentra... mas ele não se mancava.

Então, pra não ser grosseira ou escandalosa, tomei uma medida drástica: parei de malhar na hora do almoço. Passei algumas das minhas atividades matutinas pra hora do almoço e passei a malhar exclusivamente pela manhã, para evitar contato com ele.

Mas o pilates não teve jeito, mas, como era uma salinha apartada... menos pior. Ou não.

TODO DIA o sem noção passava na porta, me via fazendo os exercícios de alongamento e acenava e eu fingia que não via. Aí o PUTO batia no vidro ou abria a porta para cumprimentar!! A instrutora percebendo a situação e não gostando chegou a dar um fora, pedindo a ele que aguardasse o término da aula pois bater no vidro ou abrir a porta desconcentrava os alunos.

E ainda assim, ele dava tchau insistentemente até eu olhar. Passei a abstrair e smepre que via ele chegando, me punha para fazer um exercício de costas para a porta, para não ter erro. Resolveu por um tempo...

Nesse meio tempo, evitava olhá-lo, quando ele entrava no elevador fingia que tinha que sair por algo, pois ele sempre vinha na minha direção com aquelas mãos pegajosas, precisando me tocar para me cumprimentar. ECA.

Um sábado desses da vida, fui fazer um day-spa aqui perto de casa: yoga, massagens variadas, ofurô, cheguei cedinho e curti o dia da melhor maneira possível.

Hoa do almoço, estou eu me preparando para o intervalo, na parte da tarde mais algumas massagens, acunpuntura, shiatsu. Esta eu, ensimesmada na minha viajando quando... adentra o indivídio. Com a pastinha na mão.

- Ei você por aqui?

- É, vim passar o dia.

- Legal, eu faço parte da equipe sabia? Fiz meu curso de shiatsuterapeuta aqui e sou eu quem faz o shiatsu...

F#D%$!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pensei na hora o que faço? Nem em sonhos esse cara colocará as mãos em mim! Muito menos me verá de biquini ou qualquer roupa menor que uma burqa. Fui ver e era a próxima da fila e antes que ele olhasse, joguei minha sessão pro final, para dar tempo de pensar em algo.

Faltando ainda 30 minutos de descanso resolvi correr em casa. Peguei uma calça de supplex, daquelas bem grossas e que vão até o tornozelo e uma blusa do mesmo material, meia manga. Daquelas que cobre o corpo inteiro.

Chegada a hora ele se assusta com a quantidade de roupa e explico:

- É que o ar daqui é super gelado, já estou resfriando e sempre faço assim. Até porque eu morro de cócegas, tem lugarq eu nem aguento, principalmente na barriga.

E dei palpite o tempo todo. O cara fez todo o shiatsu com a roupalhada em cima. Quando começava a subir na coxa eu desandava de rir, mais do que o normal, pois na apssada seguinte ele evitava, por causa do barulho. E assim foi.

- Gostou do dia?

- Sim!

_ Ah então a gente se vê no mês que vem.

- Certamente.

Nunca, mas NUNCA mais pus os pés ali e nunca mais colocarei!

No dia seguinte, meu telefone toca, ele de novo:

- Olá, sou eu!

- Eu quem?

- O fulaninho, daqui do trabalho.

- Em que posso ajudar? (bufando por dentro)

- Ah nada demais, só queria saber se você está melhor, se está mais relaxada depois de sábado.

- Certamene estou bem, não fui lá por causa de nenhum problema específico. Apenas quis tirar o dia para mim. Mas agora, com licença, preciso ir.

- Ah tá certo..

- E por gentileza... evita me ligar tá. Não conheço você, não temos nada em comum e sinceramente, odeio que as pessoas conversem comigo me tocando, cutucando, essas coisas cinlsuive me desconcentram OK??

- Ah sim, eu tinha percebido... me desculpe, mas...

Antes que ele se explicasse, desliguei.

Realmente melhorou bastante. Graças a Deus de lá pra cá sempre que passo por ele tem alguém comigo. Ele me cumprimenta com os olhos e não me dirige a palavra. Graças a Deus.


Noção: não saia de casa sem ela!

Se tem uma coisa que eu não suporto é gente sem noção.

O problema é que tendo sempre a ser tolerante demais, educada demais, a pessoa não se manca, aí quando eu explodo...

Elas estão em todos os lugares que você possa imaginar.

Elas estão na sua família, ou são pessoas que fazem parte do seu convívio, não há como escapar. Por esse motivo, a tolerância zero acaba não sendo aplicável.

Hoje falarei de um dos tipos mais conhecidos, primeiro lugar disparado no ranking de pessoas sem noção na sua vida.

Eles tem o melhor trabalho do mundo, ficam sentados o dia inteiro, controlando a portaria, atendendo interfone. Abrem portas. E ainda reclamam que ganham mal! Pra fazer isso?

Quando me formei na faculdade, fiz a gentileza de fazer um divórcio para o porteiro do prédio onde eu trabalhava. Eu tinha um empreguinho e ganhava quase R$ 1.000,00 e o cara ganhava R$ 1.200,00! Mais do que eu, uma advogada e ainda morava de graça! Mas si, fiz, afinal, apesar de achar muito pro trabalho que ele executava, não há como questionar que um cara desses não tm condição de pagar advogado.

Mas fora isso...

Teve um, no mesmo prédio, que RECLAMAVA da gente sair sem as chaves porque ele tinha que abrir a porta! APERTAR UM BOTÃO ao lado dele simplesmente! Tive perguntar: o que é que o senhor faz mesmo? Ah porteiro... e de onde será que a palavra vem, vejamos, PORTA? Então porteiro abre PORTAS?

Passei a sair sem chaves religiosamente todos os dias e ele começou a sair da portaria. Aí, interfonei para o síndico e pedi a ele que abrisse a porta já que o porteiro tinha entrado e fiz a reclamação.

Mas não parou por aí! No mesmo prédio o vigia também não queria abrir a porta sob a argumentação de que ele não era porteiro mas era vigia!

Uma certa vez, saí para jantar com um namorado e fomos até minha casa, ele ficaria por lá comigo. Tinha tomado vinho, estava alegrinha e não acertava a fechadura de jeito nenhum. Um tempão para abrir o diacho da porta. E o vigia lá, imóvel, só olhando.

Meu namorado, ao passar pela mesa pergunta:

- O senhor daí tem como abrir a porta?

- Sim é só apertar o botão, apontando para o botão ao lado da mesa.

- Se é assim e se o senhor conhece a gente porque não abriu a porta? Não viu que ela estava com dificuldade?

- Mas eu não sou porteiro e não tenho obrigação de abrir portas!

- Então, que vigia de merda você é! De que adianta ficar ai vigiando e expondo um morador do lado de fora às duas da manhã. Se um bandido chegasse na gente o que você faria como vigia? Qual seria sua utilidade.

Ele começou a se alterar e achei melhor empurrar o então namorado para casa e fiz a reclamação formal ao síndico, mas ele continuou.

Minha vingança: onde já se viu vigia que dorme?

Passei a entrar sorrateira sempre e a fotografá-lo dormindo com meu celular ou filmar o seu ronco alto e estridente, sempre mirando o relógio de parede. Só me mudei depois que ele já tinha tomado quatro advertências e uma suspensão. Tava na beira da justa causa, espero que algum outro morador tenha tido peito de continuar minha nobre causa.

Outra de porteiro:

No prédio onde atualmente moro temos 4 porteiros, sendo que dois deles tem a tarja de fofoqueiro – fiscal da vida alheia – escrito na testa. Mas eles são demais: perguntam de onde você veio, pra onde você vai... qualquer amigo meu homem me visitando perguntavam? Tá namorando? Eu me controlando pra não soltar algo do tipo: não to só comendo...

Mas teve um dia que me tiraram do sério.

Entrei com uma ação contra minha operadora de celular e no dia da audiência, após a vitória, convidei o advogado, amigo meu de anos, pra dar um pulinho lá em casa para conhecer, tomar um café e contar as novidades: ele estava recém casado, esposa grávida, super feliz!

Chegamos no prédio, dei o boa tarde de sempre e subimos tagarelando normalmente. Chegamos em casa, fiz o café, preparei um lanche e ficamos conversando demoradamente na mesa da sala. Algum tempo depois, mão na maçaneta, minha porta abre de supetão e entra minha mãe, que mora no mesmo prédio, mas um andar acima, esbaforida, olhos arregalados, vê nós dois sentados na mesa, com xícaras na mesa e exclama:

- Ah, mas é você fulaninho?

- Como assim “é você fulaninho”????

Minha mãe do estado vermelho fica pálida. Encosta a porta. Pausa. Explica:

Estava chegando no prédio do supermercado com o carro e descarregando as compras. Vê o porteiro se aproximando, crente que ele vem ajudar e ele diz:

- Mary já está em casa!

E vira as costas e volta para portaria. Homem doido, pensa, e continua a descer as sacolas. Daí a pouco ele volta e diz:

- Ah e ela subiu sozinha com um rapaz!

Bem eu fiquei preocupada e subi, explicou ela.

- Preocupada com O QUÊ mãe? Eu sou maior de idade, moro sozinha e daí que subi com um homem na minha casa? Você achou que eu podia estar sendo seqüestrada? O que você poderia ter feito a respeito?

(Fulaninho tentando se esconder atrás do processo e chorando de rir)

- Você tem merda na cabeça? Vive reclamando que desde o último namorado não quero saber de ninguém fico muito na minha. Eu subo sozinha com um rapaz você devia estar soltando fogos de artifício. Aliás, já imaginou que maravilha seria se eu estivesse namorando? Estou na minha casa não é? Eu podia muito bem estar transando na minha poltrona, na minha casa! Você não só ia morrer de vergonha, mas provavelmente me fazer perder um namorado pois com uma mãe que nem você, ninguém merece!!!

Ela ficou nervosa, sem ar, lacrimejou, pediu um milhão de desculpas para mim e pro fulaninho, um grande amigo que cansou de ir à nossa casa e que ela adorava.

Ato contínuo, quando ela foi embora, bati na porta do síndico, contei o ocorrido e descemos para falar com o porteiro. Depois de levar uma senhora descompostura do síndico e uma advertência disse para ele:

- Senhor, eu não tenho 20 anos, tenho mais de 30, trabalho e moro SOZINHA. Minha mãe não mora aqui pra tomar conta de mim e o senhor não tem que dar satisfação d aminha vida nem a ela, nem a ninguém, a não ser que eu solicite gentilmente que o senhor dê algum recado, entendido???

E desde então ele só me dirige dizendo:

- Bom dia!
- Boa tarde!
- Boa noite!
- Precisa de ajuda com as sacolas?

Thank God.

Se você tem problemas com seus porteiros, eles não trabalham direito ou se metem na sua vida, escreva para " marygarotatpm@gmail.com ". Consultoria trabalhista solidária e 0800!

Disclaimer: eu não tenho absolutamente NADA contra a classe operária citada neste texto. Já advoguei em prol de MUITOS de forma graciosa, sendo que minha crítica dirige-se excluisvemente aos maus profissionais, infelizmente não são poucos os que, ao invés de se dedicar ao seu trabalho e fazer valer a oportunidade, reclamam da chance e ainda tse ocupam da vida alheia para "aplacar" sua frustração profissional.

Como disse lá em cima, meu prédio tem 4 porteiros, mas somente 2 tem posturas criticáveis. Os demais são amáveism educados, não reclamam da vida e estão sempre solícitos. Adoraria que eles tivesse clones para substituir os outros...


Tuesday, January 13, 2009

Não obrigada! Mil e uma maneiras de usar.


Frase simples que diz muita coisa. Pergunto-me: porque as pessoas a nunca levam à sério?


Hodiernamente a expressão acima é utilizada para demonstrar recusa ou desnecessidade de uma atitude por parte do terceiro interpelante, desinteressada ou não. De forma educada. Ou não.


Por exemplo: você entre em uma loja qualquer para dar uma olhada nos produtos, já que ninguém põe o diacho do preço na vitrine. Faço questão de verificar sempre, não costumo comprar por impulso, conjugando sempre o binômio custo X necessidade e ninguém precisa saber disso. Quando não há preço na vitrine, entro na loja para verificar e, no último caso, pergunto o preço a alguém.


Quando uma pessoa entra silenciosa numa loja, já deveria ser óbvio que ela não precisa ser importunada. Ela SABE que há vendedores e SABE que eles estão ali para ajudar. E SABE que o vendedor está doidinho para vender. Mas ele não se contém:


- Bom dia, posso ajudar em algo?


- Não obrigada.


- Mas precisando de ajuda meu nome é fulaninha.


- Não obrigada. Só estou pesquisando preços.


- De nada, estou às ordens.


E depois dizem que mulheres fazem questão de ter a última palavra! Isso me emputece!


Faço a ronda em várias lojas do shopping e verificando que foi justo nesta primeira em que fui que tinha o melhor preço. Volto à dita cuja para comprar a mercadoria:


- Bom tarde, a senhora voltou, posso ajudar em algo?


- Não obrigada e não precisa me chamar de senhora, ainda não sou velha o suficiente.


- Sim... de nada.


Vou à prateleira, pego a mercadoria e me dirijo ao caixa para pagamento quando a vendedora voa à minha frente toda sorridente:


- Olá, agora precisa de ajuda?


- Não, não preciso. Já achei o que preciso vou só pagar.


- Mas você sabia que temos uma promoção que levando...


- NÃO obrigada. Eu só preciso disso, já estou decidida, só quero pagar.


- Desculpe, OK, qual a forma de pagamento?


- VISA crédito.


- Débito tem desconto de 5% senhora.


- CRÉDITO.


- Se a senhora comprar mais 10 reais em produtos a senhora pode estar parcelando a mercadoria em até vezes...


- CRÉDITO à vista. Eu não quero parcelas, vou pagar de uma vez só.


Frustrada a vendedora passa o cartão, me dá o boleto e começa e embrulhar a mercadoria....


- Não obrigada, não precisa embrulhar, apenas coloque num saco.


- Mas senhora...


- Não é presente e é menos lixo. Onde está sua consciência ambiental?


Silêncio.Mercadoria na sacola, digo obrigada e me viro, quando estou na porta da loja:


- Obrigada senhora, volte sempre!


- Não... obrigada!!!


Também pode ser muito útil para despachar pessoas inconvenientes, que tentam oferecer a sua própria pessoa em proveito próprio claro.Muito comum em festas, baladas, boates e micaretas.


- Aí gata, entra na minha...


- Não obrigada!


- Mas que isso gata, vai dispensar assim, na moral?


- Sinceramente não estou precisando da sua caridade. Só aceito doações vultosas e desinteressadas se acompanhadas de caráter e ausência de traços galináceos e de alto teor alcoólico.


- ???!!!


Também funcionou muito bem no carnaval em Salvador. A todo cara que tentava uma gracinha eu virava sorridente e dizia o meu “não obrigado” que invariavelmente tinha que ser repetido umas três vezes até receber o devido crédito. Sem ofensas.


Nos casos extremos, uma unhada no braço acompanhado de um olhar raivoso e do “não obrigada” também ajuda muito.


Afinal, micareteira tem que ter o direito de correr atrás do trio e se divertir sem pegar ninguém. Não achei minha boca no lixo.


Em tempo, respondendo ao email do "rafinha" (real sobrenome não citado e texto não citado para preservar sua identidade) , quanto ao seu convite, NÃO OBRIGADA!


Mas agradeço seu email, ele foi a inspiração para o post de hoje!


Atenciosamente,


Sunday, January 11, 2009

Mary explica: E-mail dos leitores

Meu Deus estou chocada!

As pessoas estão tão assustadas que só mandam recados, dúvidas e declarações em PVT, ninguém faz comentário. Medo de ser espinafrado ao vivo e a cores? É só não fazer pergunta idiota!

Como recebi dois emails perguntando sobre a mesma coisa, resolvi postar aqui, caso mais algum inibido esteja com dúvidas.

Perguntaram-me: Mary, sinceridade manual? Como assim?

R: Sinceridade manual é aquela que se exerce com as próprias mãos. Enfática. Impossível não ser percebida. Quando as palavras por si só não bastam. Para maus entendedores, daqueles que 1,5 palavras não resolvem. Capicce?

Viram não dói nada!

Saturday, January 10, 2009

Reflexões sobre a sinceridade e a verdade

Agora que estou devidamente gardenalizada e pronta para curtir uma night entre amigos, enquanto espero minha carona, que, como sempre, se atrasa mais que noiva em dia de casamento, aproveitei o embalo para filosofar um pouco.

Muito se fala sobre o que é importante na construção de relações e relacionamentos mas, para mim, a pedra fundamental se chama sinceridade.

Hoje em dia vejo que as relações entre as pessoas caminham em direção a um abismo, seja qual for o tipo de relacionamento. O mundo quer te devorar, ninguém é de ninguém, tenho que garantir o meu, são coisas que ouço diariamente. Mas na frente do suposto óbice ou inimigo, vejo desfiles de sorrisos falsos.

Eu, panaca que sou que sou, não consigo e isso me leva a refletir: aonde foi parar a sinceridade das pessoas?

Eu acredito que sinceridade é muito mais do que dizer a verdade. É ACREDITAR NELA. É ter em mente as consequencias de seus atos.

Ser sincero não é um ato que vc pratica com outra pessoa, mas um ato que se inicia com você e se completa no outro. Sim a sinceridade começa em você mesmo! Se você não é sincero consigo mesmo, com o que você pensa, como será sincero com outra pessoa?

É por isso que eu me fodo sempre. Com o perdão da palavra.

Sou do tipo de pessoa que tenho por princípio ser sincera comigo SEMPRE. Faço o que quero, sempre ponderando, claro, nos reflexos que minha ação terá na vida das outras pessoas. E eu FALO sempre o que sinto e o que penso. Não minto. Não omito. Se me incomoda, posso até me segurar, mas na primeira oportunidade, verbalizo.

Muitos me condenam, me cruxificam, mas no fundo acabam me dando razão. A sinceridade dói mas ela te liberta de uma forma inexplicável.

O que me causa espanto é, num mundo em que cada vez mais as pessoas se expõe me tudo culmina para que a verdade apareça e deveria, portanto, servir de incentivo para a sinceridade, vejo as pessoas cada vez mais migrando no sentido oposto.

Mentiras, intrigas, desculpas esfarrapadas e caras-de-pau que podem ser derrubadas pela pessoa mais inocente do mundo: google, bina e email estão aí pra isso... felizmente ou não.

Hoje em dia a mulher, por exemplo, pode-se valer desses meios para evitar um cara galinha, uma pesquisinha num orkut e descobre. Nem precisa dizer nada, se debulhar em lágrimas ou chamar o infeliz de canalha. Você simplesmente recusa, diz que não tem interesse e segue sua vida feliz pois evitou um cafajeste.

Como todo celular hoje em dia tem bina, não há mais desculpas para não se ter retornado uma ligação e você começa a ter uma real noção da consideração que aquela pessoa tem com você ou não. Desculpas tem prazo certo: até as 21hs do dia em que foi prometida a ligação.

Se com tudo isso ainda existem pessoas caras de pau e o pior, gente que cai, o que me assusta e me deprime é a capacidade de se abstrair a sinceridade na frente da pessoa. Verbalizar uma mentira, olhando nos olhos.

Eu fico puta quando vejo uma pessoa ter uma atitude com alguém e, quando a vítima vira as costas, ter outra. Sou a primeira a criticar e, em certas situações eu vou atrás do pobre inocente e falo mesmo. Não incentivo que ele exponha o mentiroso, mas apenas mostro que ele deve ter cautela, que nem todo mundo é bonzinho e que não se deve confiar tanto nas pessoas e, acima de tudo, não se expor, preservando sempre um pouco.

Coisa que, aliás, eu deveria fazer mais vezes e nem sempre faço.

Não dizer a verdade é irritante. Por mais que ser sincero pareça grosseiro e já fui taxada de grosseira várias vezes.

Várias vezes estive com pessoas que percebi logo nas primeiras linhas que não tinham nada a ver comigo, por isso, não deixei ir adiante e, em alguns casos nem começar!

Ogra, grossa, sem noção? Ora pois, tem coisas que só se sabe ou se descobre conversando, passando um tempo juntos, conhecendo a pessoa. Nunca me senti na obrigação de ficar com uma pessoa só porque saí com ela, até porque, saio para conhecer pessoas. Se tem a ver e me interessa são outros quinhentos. Não sou assistente social para fazer caridade.

Me irrita que as pessoas não tenham a mesma postura comigo.

Eu sou sincera, franca, um livro aberto. Quem conversa comigo um dia já sabe mais ou menos como penso, minhas posturas, como ajo e me emputece francamente quando alguém puxa papo comigo ou me promete algo, o que quer que seja, quando não tem a mínima intenção de cumprir.

Sair com uma pessoa, por exemplo, e dizer que quer sair de novo quando você não quer, apenas porque a pessoa espera isso não é educação nem ato de piedade, pra mim é sacanagem, falta de sinceridade e crueldade, dependendo da pessoa.

Continuar um namoro que não está dando por pena da pessoa que está sofrendo é a maior falta de sinceridade que se pode ter no mundo, com a outra pessoa e com você mesmo. Quando uma das pessoas faz isso e ainda sai com outra para "aliviar o sofrimento próprio" eu fico possessa! Dá vontade de matar.

Esse pecado eu confesso que já paguei. Continuei por pena, mas no fundo, acreditando que as coisas poderiam mudar e, no final, dar certo. Mas não deu. E, no final, deixei rolar por falta de forças. Mas quando tomei a decisão, não voltei atrás fui firme. E fui... CRITICADA! Por que não dei nenhuma chance à pessoa. Depois de 4 anos tentando discutir o relacionamento e expondo os fatos que me desagradavam, que chance eu ainda tinha que dar? Era por o ponto final para seguir em frente.

Outra coisa que considero falta de respeito e de sinceridade é negar um retorno a quem espera isso de você. Tipo, você sai com uma pessoa, sai de novo, ela pergunta posso ligar e o outro diz pode! Aí não atende a ligação e não retorna também naquele dia.

Somente um bom motivo me faria abstrair um fato como este e não considerar como tentativa de me enganar, e dentre eles considero um BO (boletim de ocorrência) de furto do celular, ou prova cabal de quebra e impossibilidade de contato por qualquer outro meio. Nada justifica a falta de um sinal de vida antes das 21hs num sábado.

Acho que não ter gostado, não ter se identificado ou simplesmente não querer, seja por falta de vontade ou porque tem um outro compromisso ir é um direito. Logo porque não falar a verdade?

Sabe o que é pior? A pessoa que faz isso com você, invariavelmente se arrepende depois e volta a falar com você como se nada tivesse acontecido, principalmente quando não tem nada melhor para fazer e te usa como coringa. O que é pior ainda.

Aconteceu comigo uma vez e eu, inocente, caí. Fiquei arrasada, me sentindo otária, chorei horrores.

Mas na segunda, vislumbrando o possível golpe, me preparei.

Numa sexta à tarde ele me liga, do nada puxando papo comno se nada tivesse acontecido! E me chama pra sair. Digo prontamente que não quero, que não estou a fim mas ele insiste, copiosamente. E deixo claro que tenho programa pro sábado e pro domingo, mas ele insiste que eu TENHO que arrumar um tempinho para ele.

Sábado, pelo celular ou torpedos os convites pipocam. Convidada para sair para um jantar, barzinho ou algo semelhante, depois de algumas recusas tento averiguar o real interesse e a real falta de opção do cafajeste e pensei, vou fazer esse cara desistir de uma vez por todas!

Aceitei sair, mas bem tarde. Disse que tinha vários compromissos com amigos, praia, etc, e que chegaria em casa por volta das 19:00 mas ligava quando chegasse para combinar a hora.

19:30 ele liga e digo que estou atrasada.

20:00 ele liga e digo que já estou saindo.

20:30 ele liga de novo e digo que já estou a caminho.

21:30 ele liga digo que saí do banho e estou me aprontando.

22:30 ele liga de novo e digo que ainda vou demorar um pouco (hahaha eu me arrumo em menos de meia hora e mais rápido que homem. Secando cabelo inclusive)

23:00 ele liga e digo estou quase pronta! Dá uns 10 minutinhos e vem!

23:20 ele toca o interfone e peço que espere um pouco pois estou acabando a maquiagem e ainda tenho que arrumar a bolsa.

23:45 desço deslumbrante, ele chega todo sorridente esperando um beijo e eu dou um beijo no rosto. Ele abre a porta do carro, encosto no carro e digo:

- Sabe, pensando melhor acho que não vou sair hoje. Não estou a fim.

- Mas como assim? Você marca comigo, num sábado, atrasa horrores, me faz vir até aqui e diz que não quer sair mais? Está louca?

- Não só estou sendo sincera!

- Mas que porra de sinceridade é esta?

- A sinceridade que voce não teve comigo quando saímos da última vez. Te liguei, esperei uma resposta, um outro convite e você sumiu e ó duas semanas depois me aparece chamando para sair?

- Ah mas eu não estava a fim só isso! Qual o problema?

- Então porque disse que eu poderia ligar?

- Ah porque se não falasse isso você ia ficar chateada.

- Ah tá certo, você não é capaz de ser sincero consigo mesmo, mente para mim e acha que está fazendo bonito porque disse algo que eu esperava? Eu pelo menos estou sendo sincera e não estou mentindo.

- Você é LOUCA!

E me segurou pelo braço.

- Não sou louca. Simplesmente quando cheguei aqui embaixo, olhei para você e lembrei do nosso último encontro, perdi a vontade. Pelo menos estou te poupando. Ah e por favor não me ligue, nem mande mensagens. Sério, não espero nada de você, nem desculpas. Não quero sair com você. Pensando bem nem gostei tanto do nosso último encontro. Não vale a pena continuar. Pode soltar meu braço agora?

- Mas que maravilha! Mais alguma coisa que você queria dizer?

- Eu não, mas se você quiser, pode falar com a minha mão!

- Hein??!!

*SLAP*

- Boa noite!

Quando tudo falha, lembre-se: a sinceridade manual funciona!


Friday, January 9, 2009

Se arrependimento matasse...

Eu sofro de uma mazela chamada impulsividade.

Quem me conhece pensa: mas como assim? Você é a pessoa mais controlada e racional do mundo!! Sim eu sou. Racional e super-controlada. Até o momento em que me permito descontrolar e aí já era...

Apesar de ter tirado parte das férias em setembro, a depressão pós férias já me deiou em polvora com a perspectiva da próxima viagem em contraposição à alta do miserável dólar por conta daqueles babacas habitantes do hemisfério norte das américas.

Num grande impulso de felicidade, ante uma queda considerável do dólar, parti para a mesa do chefe, disposta a negociar não só as férias, mas a possibilidade de err.. bem, enforcar uns feriadinhos, já quevolta e meia rola isso por aqui.

Meu chefe fica obviamente bolado, afinal, dois dias numa mesma semana e tal... mas eu argumento: a viagem é longa, a passagem é cara e bem, se formos parar pra pensar, 3 semanas são 20 dias e eu poderia muito bem ter tirado 20 dias de férias!

E então, no desespero, mandei: façamos assim, eu não folgo mais feriado nenhum no ano!

E ele topou, todo benevolente.

A euforia só durou 48 horas... tempo suficiente pra lembrar que o feriado de São Sebastião está aí e eu IA finalmente conhecer Ilha Grande. Vai ficar pro 2º semestre.

LIFE SUCKS

Espero que essa josta do dólar baixe logo e que Grécia e Turquia sejam dos deuses!!!

Thursday, January 8, 2009

Cinema - Se eu fosse você 2


Não fui ver o primeiro.

Até tinha curiosidade, mas infelizmente, uma certa pessoa em minha vida atrapalhou meus planos e como não conseguia ir sozinha, perdi.

Mas a oportunidade e me redimir veio no sorteio de ingressos do qual participei e, como estava passando justo esse filme fui ver, a despeito das péssima críticas.

Gostaria de entender o critério utilizado para ser crítico de cinema e ser considerado bom, porque no que depender de mim 90% está na rua!

Para mim, o principal no filme é entreter você, não importa o momento da sua vida e digo, me entreteve, MUITO. Comediazinha básica, cheia de clichês e momentos altamente previsíveis, mas até isso faz parte da graça do filme.

Eu RI alucinadamente! Glória Pires e Tony Ramos tem química, são ótimos atores, aliás, melhores em cinema do que em novelas, costumo dizer que são desperdiçados. Impagáveis, em cada momento e cena.

Destaque para a cena em que eles reproduzem um diálogo clássico retirado de uma tirinha de quadrinhos em que dois tubarões discutem a relação e o macho tenta compreender porque a fêmea está incomodada...

Enfim, recomendo, esteja você sozinho ou muito bem acompanhado...

Wednesday, January 7, 2009

Ligando o foda-se para o novo acordo ortográfico


Pois é.


Alguém que não tem mais o que fazer, resolveu que era hora de fazer um acordo ortográfico para que nossos patrícios em Portugal e um ou outro gato pingado pelo mundo que fale português possa se comunicar melhor.


PERGUNTA-SE:


Alguém aqui já teve dificuldade de se comunicar com algum português, angolano ou algo semelhante? Por causa das malditas regras? Duvido!


Estou lendo ensaio sobre a cegueira de José Saramago. Não estou tendo dificuldade alguma quanto à compreensão do texto e jamais fiz curso de Português de Portugal. À exceção, é claro, do fato de que o mesmo desconhece o que seja PARÁGRAFO, discurso direito e seus respectivos travessões, o que me enlouquece na hora de ler, mas, fora isso, uma ou outra expressão que não colide com as que habitualmente utilizamos imediatamente consigo identificar o sentido pretendido.


Se ele usasse o Word aqui no Brasil (hahaha) seria punido e considerado ignóbil, já que o Word entende que uma frase não deve conter mais do que 60 vocábulos!


A maior prova disso é que os entraves na comunicação e eventuais fatos geradores de mal entendidos não é a nossa ortografia, e sim a diferença no vocabulário, palavras idênticas, mas com significados diferentes, que causam alguma confusão, constrangimentos e por vezes motivos para piada.


Ora, pois, entrar numa bicha é super comum em Portugal! Porque lá, bicha é fila. Mas vai um Português dizer aqui, numa mesa de bar, que passou horas numa bicha.


Sinceramente, adoro o trema, acho que o acento nos ditongos em proparoxítonas é fundamental e tem lá o seu charme! Como tirar o circunflexo do ditongo “oo”? Soa até insosso!


Querem acabar com o hífen! Assombroso!! Neguinho já erra os dígrafos de consoante dobrada, agora então. Sou contra, totalmente contra. Hífen é charmoso e eu AMO!


Quanto à inclusão de W, K e Y, hahaha isso já está no sangue há muito tempo, afinal, com a internet e globalização, a utilização de vocabulário em inglês e suas abrasileirações, por assim dizer, já integraram essas letras há muito em nosso vocabulário.


Sem contar os pais que batizam seus filhos com nomes estrangeiros, CORRETAMENTE. Sabe no que dava aportuguesamento de nomes estrangeiros? Uóston (Washington), Quéli (Kelly), Méri (Mary). Uma breve “listinha” dos nomes que passaram pelas minhas mãos quando era estagiária de direito no escritório modelo e, depois, na defensoria. Criatividade de brasileiro é uma coisa.


Se querem unificar as nossas línguas, deveriam unificar era o vocabulário para não restar dúvida.


Eu tenho pra mim que nosso português é uma evolução do original, assim como o inglês americano, e creio que as evoluções são sempre para melhor. Imagine dar crédito a uma língua que é falada como há 400 anos atrás? Sem mencionar que somos quase 200 milhões contra menos de 20 milhões de Portugueses e lusófonos.


Na europa os dialetos, ainda que próximos da língua materna são consideradas línguas independentes, como por exemplo o flamenco e o holandês (flemish e dutch) e o espanhol e o catalão, com características bem acentuadas, tipo habitación e habitació, como vi em placas, livros e anúncios na Espanha.


Por mim mudava até de nome, sou favorável ao “brasileiro” como idioma particular. Nós já nos separamos deles há mais de 150 anos. E, no meu humilde entender, acho que o Brasil dá de mil a zero na nossa antiga “mãe”. Só nos falta reconhecer tal condição, grandiosidade e exigirmos o reconhecimento como tal.


E mais: garanto que tem muito mais português querendo vir pra cá do que brasileiro indo pra lá. Afinal 1000 querendo entrar onde tem 20 milhões é uma coisa. 1000 querendo entrar onde existem 200 milhões é uma piada.


É por isso que não entendo, juro que não entendo. Me revolta ver o nosso país tão grandioso beijando a mão de quem não merece e nunca mereceu (não se esqueça de como fomos explorados por eles).Por essas e outras que sou contra o novo acordo. Não vou aderir.


Tuesday, January 6, 2009

Crônicas de uma TPM


Eu não acredito em mulher que diz que não tem TPM.

Todas tem, só que algumas são abstraídas o suficiente para não perceberem os efeitos: uma sutil dorzinha aqui e ali, seios inchados, dores nos quadris, um chororô só. E outras orgulhosas demais para admitir, se tornando verdadeiras jaguatiricas quando interpeladas. E pode atirar a primeira pedra aquela que nunca fingiu não ter TPM pra não estragar um primeiro encontro.

Sim eu tenho TPM, ou melhor sofro. Desde sempre, desde que me entendo por gente. Ou melhor: desde que me tornei apta a sofrê-la há cerca de ... 20 anos atrás? Isso 1989.

TPM é mais que um sofrimento, é uma síndrome, um transtorno, uma série de acontecimentos que abalam o emocional de qualquer fêmea na face da terra. Analisemos, então, em que condições uma mulher começa a sofrer com a fatídica TPM.

A TPM invariavelmente começa depois que os hormônios dão o seu fatal sinal de vida para as mulheres, ou melhor, meninas: a menstruação. Que coisa infeliz, um desfavor diria e que, teoricamente marca a fase na qual a mulher estaria apta para procriação segundo a medicina. FALA SÉRIO.

Na época da minha mãe eram 14, 15 anos (a sortuda só fico com 17 e RECLAMA!!), na minha geração 12, hoje em dia meninas de 9, 10 anos menstruam, é um despropósito absurdo que me leva a reforçar minha tese de que hormônios são burros e a natureza não é perfeita.

Qual o propósito de uma CRIANÇA com 10 anos poder procriar? Por isso tem tanta adolescente barriguda por aí. Se a natureza fosse sábia mesmo, ninguém menstruava antes dos 18 e não teríamos mais adolescentes grávidas abandonando os estudos. Mas é apenas uma doce utopia dos meus sonhos, num mundo ideal que não existe.

Pois bem, vejamos eu: a TPM precedeu o desastre na minha vida.

Sim, UMA semana antes do fatídico pior dia da minha vida o prenúncio já se manifestava dando sinais que eu, no auge da inocência, não sabia interpretar: mal humor, cansaço, enjôos, dor de barriga, dores nas pernas, vontade de não sair da cama e cólica, muita cólica. Estava de férias na casa de minha tia, em Juiz de Fora. Frio do cão.

Dor, dor, dor e um dia a maldita veio. Discreta. Silenciosa mas, aos meus 12 anos e meio e num sítio no meio do mato onde não tinha como me defender da situação crítica que minha natureza me impunha e tive que pedir socorro a quem, claro, ela, a mãe, que deveria nos apoiar, ser nossa confidente, afinal, mãe também é mulher e tal.

Eu estressada, de mau-humor pela primeira vez na minha vida e ela sorrindo toda contente e confesso: foi nesse dia que, pela primeira vez na vida, mandei alguém à merda e essa pessoa foi minha mãe:

- Caramba mãe eu to passando mal, quase morrendo e você ta achando lindo?
- Ai minha filha é uma mocinha!!
- Mocinha o KCT e pelo amor de Deus fecha essa boca grande, pois isso não é motivo de alegria nem de orgulho. Eu tô morrendo de dor! Por mim não menstruaria NUNCA!
- Mas minha filha assim você não ia poder ter filhos!
- Nem menopausa! E pra que ter filhos? Tem tanta criança largada por aí, posso adotar!
- Mas minha filha...
- Dá pra ir à merda e na volta me trazer um absorvente????

Minha mãe horrorizada sai, me entrega o pacote maldito e me deixa a sós no banheiro. Duas horas de banho quente depois, relaxada, mas me sentindo o dejeto do mundo, saí do banheiro com destino à minha cama quando fui interceptada pela minha tia que veio correndo e sorrindo e ma abraçando:

- Minha sobrinha já é uma mocinha! Que alegria, ai como eu queria ter tido uma filha!
- Ai como eu queria ter tido a SORTE dos meus primos e ter nascido HOMEM!!

Cara de surpresa, minha tia me solta, vendo a fúria em forma de labaredas em meus olhos e me pergunta se eu quero um chocolate quente pra me acalmar. E uma bolsa de água quente, por favor.

Passei o resto da manhã deitada enrolada no edredon, vendo TV. Tomava banho de hora em hora, me sentindo a criatura mais imunda do mundo. Tudo me incomodava.

Sentia dores, inchaços. Até mesmo nos peitos que ainda não tinha e que passei a desejar veementemente não tê-los a partir daquele dia, mas a natureza não só não ouviu meus apelos como me deu muito mais do que eu pedia, quando ainda queria. Sacana desde sempre.

Tudo me incomodava, até meu cheiro, não queria sentar perto de ninguém, pois na minha cabeça eu exalava um odor fortíssimo e inexplicável, morria de vergonha. E nada, nenhum remédio fazia a dor passar: novalginas a rodo, e as cólicas continuavam e eu querendo matar o mundo e blasfemando Deus por essa desgraça na minha vida.

No fim da noite só piora chega meu primo, 10 anos mais velho, estudante de medicina com um vidrinho de buscopan, discretamente me entrega e me diz:

- Minha mãe disse que você estava com dor... coloca 20 gotas disso num pouco de água com açúcar e entorna que vai ajudar.

Todo sorridente e feliz por ter ajudado e se sentindo O MÉDICO ele vira as costas e sai, tempo suficiente para eu explodir de raiva e de vergonha por dentro: o sangue subira tanto que eu estava com o rosto vermelho e as veias saltando de vergonha: como elas OUSARAM falar isso pra um HOMEM????

Saí dali e encontrei as duas fofocando alegremente num quarto, tranquei a porta e gritei:

- SUAS TRAIDORAS COMO OUSARAM ABRIR ESSA BOCA GRANDE???
- Mas minha filha seu primo é médico!
- Médico o C$R%LH*!!!!! Ele é homem! É meu primo e ainda falta muito pra ser médico vocês não tinham o direito de me expor!!
- Mas a gente só quis te ajudar, você estava passando tão mal que achamos que ele poderia indicar algum remédio melhor pra você sentir menos dor.
- Na minha época, explicava minha tia, não existia remédio algum, mas felizmente depois que tive seus primos tudo passou e nunca mais precisei sequer pensar em remédio, então não sabia o que indicar pra você!
- Não interessa! Chumbinho vocês tinham, teria sido, MUITO, MUITO MELHOR!

E virei as costas, saí pisando fundo e batendo a porta com força. Meu primo coitado, sequer ousou sair do quarto aquela noite.

Sem muita alternativa, me dirigi à cozinha, fiz a recomendação e tomei aquela josta. Meia hora depois senti um alivio superior ao trazido pela novalgina, mas ainda assim tinha dores. PQP será que ele não pegou leve na dose?

Ninguém olhando, pensei muito. Lembrei do meu avô explicando porque colocava o remédio para angina embaixo da língua: é vascularizada e você absorve mais rápido! E não pensei duas vezes: entornei embaixo da língua e tive uma noite divina...

E foi assim que surgiu Mary...

Daí em diante, minha vida se tornou um inferno.

Na escola, entre minhas amigas, minhas atividades, a menstruação e a TPM destruíram minha vida social e minha adolescência que, como sempre digo, nunca tive.

Primeiramente, nunca mais consegui usar saias ou vestidos na minha vida. Tinha pesadelos com desastres incontroláveis que culminariam em sangue escorrendo pelas minhas pernas e todo mundo olhando. Educação física e aquela calça coladinha? Hahahaha! Passava mal sempre e faltava. Só usava aquela calça cafona da escola de corte reto que só serviu pra realçar um quadril que não parava de alargar e um traseiro que só ganhava formas.

No dia em que vinha a dita cuja e a TPM eu me recusava a ir pra escola, ficava muito mal e me incomodava achando que eu estava com um cheiro diferente que só eu sentia.

E a partir daquele ano começou a maior palhaçada de todas: uma médica mais velha que minha avó passou a, semestralmente, fazer exame físico em todas as alunas. Humilhante. Tínhamos que ficar somente de calcinha e sutiã para sermos pesadas e medidas. Passei a usar sutião por causa disso. E não ficava nisso, tinha a constrangedora e fatal pergunta:

- Já ficou mocinha?

Porque diabos tenho que dar satisfação das mazelas da minha vida a uma VELHA que não deve saber que porcaria é essa há pelo menos 30 anos????

Eu rezava copiosamente para que não viesse na semana do maldito exame e neguei veementemente ato final da 8ª série quando finalmente dei uma reposta diferente:

- Já ficou mocinha?
- Não e se Deus quiser nunca ficarei! Hahahaha! Serei criança pra sempre!

E fui embora feliz e contente, com a alma lavada. No ano seguinte, escola nova e sem o exame idiota.

Mas não foi só na escola que a TPM mexeu com minha vida. Ela também destruiu todo o potencial atlético que eu poderia ter.

Em março, logo após o final das férias voltaram as fatídicas aulas de... natação. Fazia aulas no final do dia, junto com adultos, pois tinha uma raia só para mim e porque nadava bem melhor que as outras crianças da minha idade, assim tinha mais atenção, isso desde os 10 anos de idade.

As primeiras semanas numa boa até que... precisei faltar uma semana inteira, bem no fim do mês. O primeiro mês o professor não falou nada, nem no segundo, mas no terceiro chegou um dia e comentou:

- Haaa, já ficou mocinha NE?
- Não estava passando mal.

Junho, idem mesma conversa babaca e eu puta.

Aí, teve a pausa de julho e agosto por causa do inverno.

Setembro se aproximando e eu desesperada, não ia conseguir tolerar aquilo pra sempre e ia acabar desistindo da natação, foi quando Deus, sentindo culpa pelo estrago feito na minha vida, mostrou-me a luz!

No banheiro, desolada, às vésperas de completar meus 13 anos e aguardando o fatídico dia encontrei a solução para o meu problema na forma de flocos brancos na gaveta de minha mãe e ela se chamava O.B.!

Incrível: li e reli o manual zentas vezes. Hoje em dia penso, como o Google poderia ter ajudado mais se existisse naquela época!

Depois de 4 tentativas malsucedidas descobri como funcionava o negócio e me dei por vitoriosa! E provavelmente ainda tinha perdido parte da minha virgindade nessa brincadeira, ou seja, poupei minha pobre mente atormentada de futuras neuras sobre virgindade, dor e etc.

E parti para as aulas.

Última semana do mês apareço eu, feliz e sorridente para nadar e o professor estranha:

- Ora a mocinha está feliz?
- Correção, a CRIANÇA está feliz!
- E porque tão feliz?
- Acabei de fazer 13 anoooos!
- Está se sentindo bem?
- Melhor que nunca! E pulei na água.

Ele não entendeu nada e dali em diante, por mais 3 ou 4 anos, não recordo, nunca mais perdi uma aula de natação. Tirando, é claro, quando calhava de ser no dia em que vinha, mas depois desse dia, nunca mais tive indisposição. E minha mãe nunca deu falta dos O.B. que curiosamente sumiam todos os meses e nunca desconfiou de mim... E o professor babaca nunca mais fez UM comentário sequer.

Problema só foi mesmo quando minha mãe decidiu que, aos 14 anos, era hora de ir no ginecologista e marcou horário com o dela... HOMEM. Sem ter muita noção do que era, fui mas na hora do exame me neguei. Ele tentou de todos os meios me tranquilizar, dizendo que era só um exame e que ele era apenas médico mas não houve jeito:

- Meu pai não me vê nua desde os 5 anos de idade e sem a parte de cima do biquini desde os 6. O próximo homem que vier a me ver nua ou de ou vai ser meu namorado ou o agente funerário!

Recado dado e compreendido, ele não insistiu. Mas como minha mãe insitia que tinha que ir a um médico, acabei indo numa amiga da minha mãe, porra louca, compreensiva, que também sofria de TPM e nunca contou pra ela da pré-perda da virginidade via O.B. E olha que ela virou paciente dela e assim continuou por anos.

Médico homem na minha vida, só o oftalmologista e meu alergista pediátrico. E olhe.

TPM destróia a vida social sim e atrapalha relacionamentos.

Deixei de sair com alguns carinhas justamente por estar nas proximidades dos dias e eles nunca mais me chamaram pra sair, não entendiam, deviam me achar doida. Já paguei micos em primeiros encontros e algumas saias justas, como exagerar no perfume pra abafar cheiro que não existia. E pra tentar explicar ao namorado que aquele dia não rolava?

Já parei até em hospital por causa de TPM. Exagerada? Não?

Pra quem não sabe, TPM existe e pode ser classificada em 6 a 7 ou 8 grupos de acordo com os sintomas e, ADVINHE, em qual deles eu me enquadro? O pior deles, claro.

Sem chorar minhas mazelas, só tem uma coisa pior que cólica: ENJÔOS. Sim, daqueles que te fazem por tudo pra fora, até água. Ou seja: remédios, nem pensar, nada para no meu estômago e sempre que isso coincidia com mês de cólicas violentas... pronto socorro.

Após meus 20 anos e uma tentativa frustrada da ginecologista em sanar minha TPM com pílulas, que me fez engordar horrendamente, tudo piorou. Quando parei de tomá-las, a TPM voltou com tudo!

Religiosamente umas duas vezes por ano isso me acontecia, sentia dores alucinantes e corria pro pronto socorro. Na primeira vez, o médico me olhava com um olhar misto de horror e surpresa. Na segunda já safo, médicos e enfermeiros tornavam agradável a minha passagem pelo pronto socorro: plasil na veia e umas duas ou três doses de buscopan na veia seguravam a fera em menos de meia hora. Nas crises críticas, Tylax.

Uma noite dormindo na enfermaria, após rir com as piadas dos enfermeiros definitivamente cura o ânimo de qualquer TPM. No dia seguinte me levantava e ia para casa a pé mesmo, sem dores, mas extremamente cansada. Passava na padaria, comprava o pão e ia pra casa seguir minha vida como se nada tivesse acontecido.

Hoje em dia descobri que parte dos meus transtornos se deve a problemas alimentares que estou corrigindo. A TPM continua, irascível, mas já consigo controlar melhor. Faz mais de um ano que não paro no hospital e um plasil preventivo alguns dias antes resolve tudo!

E para os homens que ficam dizendo que TPM é frescura, digo para vocês sim, dói, dói pra caramba em algumas mulheres e, pra mim é alucinante e eu fico de mau humor mesmo. Quando a dor é insuportável nem humor eu consigo ter, mau ou bom, eu fico completamente apática e dengosa. Prato cheio para os ex-namorados carinhosos que podem me carregar nos braços, me por no colo, dar comida na boca e fazer cafuné sem medo. Me sinto um bichano sedado.

Como vocês nunca passarão por isso, por terem a sorte de ter nascido homens, vou dizer que apenas UMA coisa em toda a minha vida doeu mais e foi mais desesperadora que a pior das minhas TPMs ela se chama CRISE RENAL.

Tive uma no ano passado. Cheguei no pronto socorro de costume, pálida, lábios roxos e o povo que já me conhece foi logo me carregando para dentro, chamando o médico que até se espantou quando disse que não era TPM e ele foi logo me tranqüilizando:

- As se é isso então relaxa... buscopan e Tylax que nem vc toma quando está com muitas cólicas e, se precisar, segura isso em qualquer um, você já está acostumada com isso.

E foi o buscopan, outro, e outro... Tylax na idéia, nada e a dor não parava de aumentar e o médico bolado. Foi aí que vi ele injetar no soro uma parada que eu não conhecia, mas nem deu tempo de perguntar. Coração na boca e disparado, vista turva, comecei a sentir sede, vi elefantes cor de rosa dançando no teto, parecia que todos os enfermeiros estava deformados e rindo de mim entrei em pânico! Vou morrer!!

- Calma é assim mesmo já já você melhora!

15 minutos depois me segurando na cama e dizendo que eu não ia morrer a dor começou a passar, meu corpo relaxou e me senti como aquela torta mousse de chocolate depois de 10 segundos no microondas:

- O que foi isso doutor?
- Morfina...

Diferença da TPM pra Crise renal: uma dose MÍNIMA de morfina para segurar. Quem já teve crise renal séria sabe. Então resta evidente que o limiar da dor é bem sutil.

Portanto, caros amigos do sexo masculino, não subestimem a TPM e seus efeitos nocivos na mulher ou desejarei uma crise renal mensal a cada um de vocês.

Amiga mulher, se a sua TPM não é assim dê graças a Deus, mas não negue sua existência, assuma, assuma o controle e seja feliz.

Agora me entendem ou ainda preciso desenhar?

Mary

Monday, January 5, 2009

2009 tá só começando...

Ninguém merece um domingão depois do ano novo com CHUVA!

Insuportável chuva. Nem forte o suficiente pra te fazer não sair da cama, nem fraca o suficiente pra você sair sem medo de sujar a roupa.

Moral da história, um dia INTEIRO improdutivo em casa, de moleton-pijama, na internet.

Só saí de casa 3 vezes, para levar o cachorro na rua. De moleton.

Melhora 2009...

Thursday, January 1, 2009

Prenúncio?

Não sei definir ainda se foi o final de 2008 que foi uma MERDA ou se foi o início de 2009 que não foi bom.

Como boa rata de internet, fiquei online, conversando com amigos e decidi ver a queima de fogos em copa via stream, fantástico e sem sair de casa!

Dei muitas gargalhadas com meu amigo Roney (amigo apesar de ainda não assinar meu blog) com os cachorros latindo pros fogos: o dele e o meu, daqui se borrando de medo dos fogos via web. Vou oferecê-lo para ator quando forem filmar aquele desenho Coragem o cão covarde.

Eis que perto da meia noite tive a ideia genial: vou pegar o note do meu irmão, ligar a webcam. Até aí OK, sequestrei o dito, liguei e... senha. Alguns minutos depois, contando com a falta de criatividade de alguém que um dia se orgulhou de dar umas hackeadas manés por aí, hackeei a porcaria e declarei I'm in!

Aí veio: rede. Minha rede era protegida e eu não sabia! Liguei para o bocó e ele também não sabia a porcaria.

Fui tentar desbloquear a minha e... fiquei sem internet!

Corri pra casa de meus pais e quando cheguei aqui... o note TRAVA. E cadê a porcaria do botão de OFF? Se tinha, não achei. Arranquei o cabo e rezei pra descarregar a tempo.

Desci, pegueui minha chandon baby e quando descasquei a dita... SEM ROLHA? COMO ASSIM???? E meu prazer de estourar a champagne foi pelos ares.

Comecei a tomar a dita e o computador finalmente desligou. Corri, religuei e... senha OK, INTERNET! Assisti via stream o final dos fogos, entornei minha champagne e decidi ir pra cama logo.

2009 promete.

Um bom 2009 pra todos vocês, whatever.

Mary