Wednesday, March 25, 2009

No Divã com Mary


Participei de uma promoção em um site quase homônimo do meu, ou melhor dizendo, do qual o meu sem querer querendo é quase homônimo e fui ver a pré-estréia do filme “Divã”, estrelado pela Lília Cabral. Mais uma das agradáveis surpresas do cinema nacional.

Inicialmente gostaria de consignar que Lília Cabral, que sempre admirei como atriz de novelas (pano rápido) é de fato uma ótima atriz e uma SIMPATIA digna de nota. Foi à frente das cadeiras, agradeceu nossa presença.

Enfim, as luzes se apagaram o filme transcorre.

Se você quer a surpresa de ver o filme, pare aqui. Se você é como eu, que não ta nem aí e vá ver de qualquer jeito, continue por sua própria conta e risco.


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O tema é deveras interessante. Mercedes, mulher na casa dos quarenta anos (mais pra cinqüenta eu chutaria) resolve fazer análise. Casada, com José Mayer (como ainda insistem nesse cara como galã, razoavelmente bem resolvida, leva a vida de forma descomplicada. Tem dois filhos adolescentes (que não tem nomes, nem nos créditos aparecem, #FAIL), leva uma vida que considera perfeita.

Chega ao consultório do enigmático Dr. Lopes sem saber o que falar, o que dizer, sem ter um problema para discutir. Ela quer mais conversar. Ou achar problema onde não existe. Já dizia um grande mestre meu: cabeça vazia, oficina do Diabo.

Começa falando da vida, de seu casamento, de sua grande amiga de fatos pontuais de sua vida. O “Lopes” nada fala, uma verdadeira imagem caricata do analista que só falta dormir enquanto o paciente tagarela.

Ela praticamente fala de seu dia a dia a cada seção. Nunca reclama de nada, nunca acha que tem problemas até que dribla com razoável maturidade alguns problemas da vida e ignora outros.

Até que o dia em que duas ligações restritas no celular do marido e uma resposta de “atendo no quarto mais tarde” ela supõe uma traição, fica por isso, não mostra detalhes, ela simplesmente aceita e deixa quieto. “Faz parte”. E o terapeuta? Nada! Ela tira as conclusões sozinhas!

Daí a trama desenrola. Surgem os problemas que ela não tinha. Mas nem sempre ela se convence que são problemas. Arruma um caso com o Gianecchini e leva o cinema aos suspiros.

Detalhe para a cena em que ele diz que todo mundo acha que ele é gay, pois beirando os 40 ainda não casou nem tem namorada fixa. Aham. Cinema inteiro rindo.

E depois ela ainda pega o Cauã Reymond. A cena do banheiro é IM-PA-GÁ-VEL.
Os diálogos com a amiga, a atriz Alexandra Richter são hilários, eu soluçava de rir. A legítima loura mãe de família ciumenta, possessiva e perua, um show a parte do início até o final. Nem mesmo alguns fatos ocorridos no cinema (como um rapaz colando chiclete embaixo da cadeira e cuspindo sem querer de tanto rir na poltrona da frente) conseguiram me tiraram do sério.

Um filme divertido, muitas gargalhadas garantias.

Moral há história?

Não façam terapia. É o melhor de jeito de conseguir os problemas que você ainda não tem.

E ainda tem gente que não me entende...

Mary

Sunday, March 22, 2009

Cantando com Mary


Fim de semana cheio = impossibilidade de postar.

Mas agora, finalzinho de domingo, já passando da hora de dormir ouvindo essa música resolvi dividi-la com vocês.

Por duas vezes já postei falando sobre honestidade e sinceridade, para si e para com o próximo.

Conheci esta por intermédio do alemão louco do blip (@NEB) e me apaixonei, diz praticamente tudo, é o mantra da minha vida nos últimos meses e provavelmente o será pelo resto de minha vida. Ou não. Quem sabe ela não me faz uma grata surpresa?

Honesty

If you search
For tenderness
It isn't hard to find
You can have the love
You need to live
But if you look
For truthfulness
You might just
As well be blind
It always seems to be
So hard to give

Honesty
Is such a lonely word
Everyone is so untrue
Honesty
Is hardly ever heard
And mostly
What I need from you

I can always
Find someone
To say
They sympathize
If I wear my heart
Out on my sleeve
But I don't want
Some pretty face
To tell me
Pretty lies
All I want
Is someone
To believe

I can find a lover
I can find a friend
I can have security
Until the bitter end
Anyone can comfort me
With promises again
I know, I know

When I'm deep
Inside of me
Don't be
Too concerned
I won't ask
For nothin'
While I'm gone
But when I want
Sincerity
Tell me where else
Can I turn
Because
You're the one
That I depend upon

(Billy Joel
)

Um bom final de semana a todos,

Mary

Thursday, March 19, 2009

Irritando Mary: Ônibus


Finalmente um leitor tomou coragem e resolveu se revoltar e me escrever.

O post de hoje é a carta de uma leitora e amiga de longa data, com os devidos comentários da minha parte, sendo o seu objeto de tamanha irritação o nosso caótico e principal meio de transporte no Rio de Janeiro: os ônibus coletivos. Um sistema em franca decadência e que não acompanha o crescimento da cidade. E ainda tem as idéias de jerico dos xerifes maluquinhos, dentre outros para otimizar o sistema e lucra mais e dar mais lucro. Sim, Branca, os ônibus me irritam também. Talvez menos do que a você por uma questão de opção e em parte, sorte.

Meus comentários estão em laranja. Tomei a liberdade de criar alguns parágrafos afinal, você não é José Saramago pra fazer essa loucura de textos sem quebras, vírgulas e parágrafos. Já a pontuação liguei o foda-se ou não ia ter tempo de comentar tudo...

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Fazendo um favor a minha amiga Mary, que mal conhece este estilo de transporte “arcaico” e do proletário, vou escrever minhas visões sobre o mesmo.

*PAUSA*

Ao contrário do que você diz em suas primeiras linhas, “mal conheço esse estilo de transporte” é uma falácia. Eu não nasci em cima de quatro rodas. Tive carro por algum tempo e voltei a ter agora e por MUITO tempo meu meio de locomoção foi ônibus.

Como nunca gostei e nunca tive saco, as escolhas da minha vida foram sempre voltadas a diminuir ao máximo o meu tormento nele.

Vamos ver, minha primeira faculdade foi... UFRJ. E não foi no centro não. Foi na famigerada ILHA DO FUNDÃO. Naquela época, ônibus pela linha vermelha era raridade então... todos os disponíveis iam exclusivamente pela Avenida Brasil, pegando todo o trânsito possível e imaginável numa linha reta.

Você acha que não sonho o que seja transporte urbano porque você me conheceu em 2001, já no fim da segunda faculdade e com dois carros dentro de casa, o que me conferia alguma mobilidade.

Voltemos no tempo a 1994.

Sim, 15 anos atrás eu estava indo pra UFRJ todo santo dia, e tinha aula às 08:00. Sabe que horas eu tinha que estar na Leopoldina? Antes das 07:00. O ideal era 06:30 mas não sou de ferro. 322, 324, 346 eram meus algozes por MAIS DE UMA HORA, e INVARIAVELMENTE EM PÉ. Sim, eu fiz isso durante 3 anos da minha vida.

Pior do que isso? QUATRO-OITO-CINCO (485), essa é a capeta airlines terrestre, o cão do transporte público.

Quente como um inferno, motoristas doidos (andavam em zigue-zague para não reduzir nos quebra-molas), tire um pé do chão e você fica no ar. Lindo né? Pois ele levava mais de uma hora da Leopoldina até a UFRJ.

E de noite, pra voltar? Show de horrores. As aulas terminando às 18:00, nunca saía antes das 18:30 e nunca conseguia chegar em casa antes das 20:00. Com fome, suada, imunda.

De lá pra cá jurei que minha vida seria voltada pra meu bem estar, então, minhas escolhas seriam feitas, em parte, pela logística de minha vida, menor tempo, melhor rendimento.

Eu moro no coração da zona norte. Fico por aqui, pelo centro, às vezes zona sul. Você pode falar ah, preconceituosa, não vai para subúrbio? Digo não, a não ser que o metrô chegue ou que alguém me dê carona. Mas também não vou à Barra. Puro e simples, escolha.

Não gosto de trânsito e não gosto de andar por onde não conheço. Ponto final. Mas continuando...

* VOLTANDO*

Eu como uma grande maioria dos trabalhadores do mundo, utilizam este transporte muitas vezes infernal e totalmente sem noção e perigoso chamado ônibus urbano.

Digo infernal pq quem nunca perdeu um compromisso pq o FDP do ônibus demorou mais que o esperado? Ou passou lotado demais e não parou no ponto? Ou pior, o motorista “andou” pra vc se sacudindo, igual a uma crise convulsiva no ponto de tanto dar sinal pra chamar a atenção do infeliz e ele passa direto, e ainda ri da cara do babaca que tentou fazer ele parar e perder o “tempo “ dele. Sim, pq a grande maioria deles tem “tempo de percurso” e tem de seguir a risca o maldito. Mesmo que signifique deixar alguns infelizes passageiros para trás. E alguém já ligou pra reclamar deles pra ouvidoria das empresas de ônibus? Eu já tentei e nunca consegui.

Pois é. Fica só na musiquinha maledita e eles nunca tem algo de útil a fazer por nós.

Fora que, alguns motoristas se sentem os “donos” da rua. Aí entra o nome perigoso. E coitados dos carros e principalmente motos que tentem ultrapassá-los. E eles estão sempre certos, afinal são maiores e no mundinho deles o maior sempre tem razão. Um dia, estava eu voltando do meu trabalho tranquilamente de cabeça baixa lendo, com o motorista correndo na velocidade da luz com o dito cujo, e de repente surge em cima de mim uma chuva de vidro, milhares de pedaço. Eu assustada, olho para o lado, achando que alguém atirou uma pedra no vidro com raiva pq o bus não havia parado (já vi isso acontecer), porém, milagre......

Os vidros estão intactos. Com cara de retardada maior ainda, e com a maioria dos poucos corajosos passageiros me olhando perguntando se eu me machuquei e a senhora que estava do meu lado com uma criança de colo dormindo também, eu disse que não, que tinha sido só o susto e que eu não havia me cortado.

Aí, o dono da razão (o motorista), começa a xingar o outro do ônibus que vêm atrás, para no meio da rua e começa a discursão: os 2 semi Deuses tavam discutindo pra saber quem estava errado, o meu que passou a 500 por hora ou o outro, que estava manobrando pra sair do ponto e não viu que o outro vinha embalado atrás. Resultado, os 2 retrovisores (do meu ônibus o da porta e do outro o do lado do motorista) simplesmente pulverizados pela força do impacto. E aí descubro de onde veio a chuva de caquinhos de vidro misteriosa. Se eu contasse todas as histórias.....haja blog...

Agora, quanto aos passageiros, também é um capítulo a parte. Fico mortificada com a falta de educação e humanidade de alguns. Tirando os sem noção que viajam escutando música no volume de trio elétrico carnavalesco, as crianças que vêm das escolas e aproveitam a ausência de responsáveis pra fazer bagunça no ônibus (e dependendo da região que o ônibus transita, é até perigoso vc repreender severamente uma criança dessas, pois não saber de “quem” elas são filhos), os pedintes, os vendedores ambulantes com aquele texto básico que todo mundo que anda de bus conhece, os engraçadinhos que tentam se aproveitar do aperto pra apertar as mulheres e até os homens Tb (já vi Tb um cara ser entregue pelo motorista na delegacia, ele era conhecido como o tarado do 485)...bem,é uma “torre de babel” andar de ônibus.

Me engana que eu gosto!. DUVIDE que você consiga ignorar aqueles idiotas ouvindo funk no últio volume e achando que estão arrasando. Eu adoro ouvir música alta, faço isso na MINHA casa.

Por incrível que pareça, assaltos são coisas esporádicas hoje em dia. Afinal, é mais lucrativo vender droga que assaltar um bus e ser reconhecido na rua (há poucos dias saiu no jornal O dia: uma mulher foi assaltada no ônibus quando estava indo pra praia. Quando chegou lá, reconheceu o assaltante na praia tranquilão pegando sol e chamou a polícia e o infeliz foi preso) ou fazer merda dentro do ônibus e quando chegar à favela ou morro ser disciplinado pelos chefes. O que me deixa com profunda decepção são as pessoas que não pensam nos outros.

Vou explicar melhor: alguns dias no mês trabalho em um hospital a noite, e vou pra barra pegar um bus até este hospital pq é mais rápido ir pela via expressa. Até uns 2 anos atrás, a galera da baixada e de municípios ao redor da cidade do rio, se precisasse ir pra barra ou final da zona sul, penava. Tinha de pegar 3,4 bus até lá.

Hoje, por intermédio e olhar lucrativo da prefeitura e de algumas empresas de transporte, já existem ônibus direto da maioria dos municípios que fazem divisa com o do rio de janeiro e da baixada fluminense. E então, quase sempre vejo essa cena. A maioria que o ônibus avança sobre os pontos, ele vai enchendo.

Quando chega nos últimos, próximos a entrada da via expressa, ele está geralmente cheio mas não lotado. E começa a gritaria com o motorista, xingando o coitado e quase obrigando ele a não parar para as pessoas que estão no ponto esperando. Acho um desrespeito gigantesco. Com o motorista que está fazendo o serviço dele direito, e com os passageiros que estão do lado de fora. Afinal, todos querem chegar em casa logo pq no outro dia a maioria tem de acordar de madrugada pra trabalhar novamente.E sinceramente, não é da conta de ninguém o que cada um tem de fazer em casa. Afinal, quem mandou nascer e ser pobre e não ter e não querer estudar e se mudar pra um local melhor? Ou comprar um carro? Ou arrumar um emprego que não tenha de acordar de madrugada pra poder pegar o ônibus?

Ai depende muito. Eu trabalhei em Itaboraí 3,5 anos de minha vida. É mais longe que o Fundão, mas é na contra-mão do trânsito, ou seja.. 40 minutos num frescão mais barato e velz que até a Barra da Tijuca. Isso se chama OPÇÃO, eu podia ter ficado no Rio mesmo, me espremendo no metrô e no busão, me estressando nas ruas cheias mas decidi agarrar uma oportunidade fora do Rio.

Quando fui aceitei o emprego, todos me curcificaram a família inclusive: louca! Vai pagar pra trabalhar! E ainda por cima na puta-que-o-pariu? Num lugar pobre, cheio de gente pobre e miserável, onde não tem um comércio decente nem nada? É isso aí, Itaboraí, onde fui trabalhar.

Local mais pobre que conheci na vida, mas uma pobreza diferente da favela. Trabalhadores rurais, gente honesta, humilde que não tem grana pra um busão e anda A PÉ. Que aceita 1 real pra capinar meio fio um dia inteiro. Ali vc não vê esse povo obeso que se diz "pobre" e que lota os coletivos pedindo esmola pra encher o rabo de refrigerante e biscoito.

Você vê gente em PELE E OSSO que vibra quando acha um pé de mandioca no meio do mato, acha uma galinha perdida, fruta ou coisa parecida. Ele não tem IPOD, nem celulares, nem telefone, nem água encanada, muitas vezes nem luz. E são educados. SEMPRE.

Logo não tenho nada contra pobre e contra pobreza. Tenho contra gente favelada. E por favelado não entenda quem mora na favela, mas quem não tem educação, não tem noção e não tem consideração pelo próximo.

Hoje em dia as ilustres senhoritas e senhorito que me criticaram aprenderam por A+B que a verdadeira Puta-que-o-pariu fica é na Barra da Tijuca...

Mas, existem algumas boas almas nos ônibus. Já vi motoristas estacionarem os ônibus pra ajudar passageiros idosos e deficientes, alguns educados que falam bom dia e boa noite. Que são atenciosos quando os passageiros lhe fazem alguma pergunta sobre o trajeto...

Sim existem, e pra esss eu dou os meu sorrisos e agradecimentos, an entrada e na saída. Sempre. Por que gentileza gera gentileza.

Eu mesma durante a faculdade utilizei por dois anos um mesmo ônibus nos mesmos horários. Conheci todos os motoristas e trocadores desse período. Muitas vezes eu voltava dormindo, e eles me acordavam quando estava perto do meu ponto. Já fui até uma vez repreendida por um porque não peguei o ônibus no horário e ele ficou parado no ponto, me esperando por 10 minutos achando que eu estava atrasada e pra impedir que eu perdesse o último ônibus e tivesse de pegar outros 2 pra conseguir chegar em casa.

E passando só por “pontos famosos” do rio: Parada de Lucas, cidade alta, pavuna, acari, complexo do alemão, jacaré, .... E eu estudava na contramão da maioria da população. Eu moro no centro do Rio e estudei na baixada, porque no meu curso a melhor universidade particular ficava exatamente lá.

E agora saio também em defesa dos mesmos. Estes microônibus ou os micrões (que se não me engano estão numa disputa judicial com a prefeitura por conta do numero de lugares) são uma tentativa de assassinato. Do motorista e do passageiro. È um absurdo obrigar o motorista a exercer duas funções, trocador e motorista.

Concordo em gênero número e grau. Querem fazer economia com a cartola alheia. Tiram o cobrador, aumentam a obrigação do motorista. Aumentam o salário? DUVIDO.

Cadê as leis de trânsito? Sabe aquela que diz que o motorista tem de manter as duas mãos ao volante, com exceção da hora da troca de marcha? E a que diz que o mesmo tem de manter constante atenção a sua frente e aos retrovisores? Pra que fazemos aquela PORRA de aula chata e maçante, como um purgatório antes de conseguir passar pelos carrascos do DETRAN e tirar o tão sonhado passaporte de liberdade (vulgo direito de ir e vir e Tb conhecido como carteira de habilitação)? Quer ver como é? É só pegar um deles. Ainda mais se estiverem atrasados no “tempo de percurso”. Eles pegam o dinheiro da nossa mão, dirigem, passam a marcha, conferem o troco, TUDO AO MESMO TEMPO!!!!!!!!!!!!

Um absurdo e falta de respeito, com eles e com a gente. Atrasam o trânsito e ainda aumentam a chance de acidentes. Acho que seria válido em pequenos circuitos, mas não é o que te sido feito.

E o passageiro em pé, se segurando como pode pq a trava eletrônica não deixa ele avançar pra dentro do coletivo e se ele fizer isso antes do pobre coitado do motorista conferir o valor da passagem, ele pode estar arrumando um problema. Afinal, não tem como o motorista dar o troco depois de passar, pela distância e tem muito engraçadinho (que é o máximo da pobreza) que dá o valor errado de sacanagem.

Outro dia, voltando à noite, cinco ótarios vindos da farra na rua, obrigaram o motorista a os deixareles passar. Foi a maior confusão. Eu me conti pra não entrar nela e dar uns sopapos nos marmanjos. Afinal, se falta dinheiro no caixa, o motorista paga. Ele falou isso pra eles, e eles riram na cara dele, querendo tirar onda. Ainda bem que faltavam apenas dois pontos, pq a voz deles me irritavam. E ainda tentaram me cantar. Eles não sabem o perigo que correram.... Rs.

Bem, seguirei após dando meus comentários sobre os outros meios de aborrecimento, ops, digo transporte da cidade.

Branca.

Pois bem Branca, ei-lo. Parabéns por ter sido a primeira a se irritar publicamente e sem medo de ser feliz. Por para fora só faz bem.

Mary

PS: Perdoem a duplicidade.

Wednesday, March 18, 2009

TPM Reminder


Amiga mulher, sua TPM é devastadora? Você perde as estribeiras? Parece uma tsunami na hora e alguns minutos depois nem lembra que passou? Nem por onde seu namorado fugiu?


Seus problemas acabaram! Se você souber inglês, claro!


http://pmsbuddy.com/


Algum gaiato (mas gênio por sinal) inventou um serviço, simples, descomplicado e com versão gratuita, o PMS reminder.


Pra quem ainda não entendeu P(re) M(enstrual) S(yndrome).


O aplicativo é de uma simplicidade absurda: você informa a sua última menstruação, a duração média do seu ciclo e, quando está se aproximando, ele dispara um email “informativo” para os homens da sua vida, informando que aqueles dias estão chegando.


Assim eles tem como se preparar para não serem pegos desprevenidos. O site inclusive sugerem pequenos agrados para amenizar o sofrimento e transtorno que a TPM traz para nós, seres do sexo feminino, como flores, chocolates, bichinhos de pelúcia, jóias. Só faltava Ferraris mas tudo bem.


Pena que pra mim não serve. A minha menstruação vem quando bem entende: ora adianta, ora atrasa, tudo pra estragar minha rotina e planos. E detalhe: a TPM só começa quando a menstruação vem. Lindo né? O bonitão que me aturar vai ter sempre uma caixinha de supresas. Comecei a chorar, já sabe.


Enfim, recomendo! Depois não diga que não avisei.


Mary

Tuesday, March 17, 2009

Freaky Tuesday!!


Pois é, depois de todas as furadas de sexta-feira 13 e o sábado seguinte, hoje fui emplacar meu carro.


Cheguei cedinho, 08:15 e ao contrário do que disseram, demorou HORRORES.


Quase 10 da manhã a placa foi entregue na mão da menina que ia emplacar meu carro.


Eis que a mesma olha para as placas, olha para o carro, olha para as placas de novo, olha para mim, aflita e pergunta: onde estão os parafusos?


Que parafusos? Não é tudo com esse cabinho aí não? Não ela explica. Preciso dos parafusos. E o DETRAN não tem pra fornecer? Nem pra vender? Não. Só serve o da fábrica.


Pego a nota fiscal e ligo SURTADA para o vendedor que pede 1 zilhão de desculpas pelo ocorrido e diz para que eu vá para a agência da Tijuca, do lado da minha casa (observação: não comprei lá pois não tinha nenhuma COR que me agradasse).


Peguei o carro, PUTA da vida e fui pra lá. Ainda tive que agüentar a ironia do gerente:


- Se tivesse comprado aqui isso não teria acontecido...


- Se você tivesse carro na cor que eu queria eu certamente não teria comprado em outro lugar!!


Fui embora, entreguei na mão do meu irmão, orientei a procurar a mesma pessoa que tentou emplacar o carro e deixei a documentação com ele.


Ele me deixou no trabalho e foi lá. Me ligou há 10 minutos.


Acabou, carro emplacado com sucesso. E placa final 9.


Mary

Freaky Saturday - Continuando a Freaky Friday


Acho que esqueci de falar sobre o sábado não é? Pois é.


Murphy é todo poderoso e infortúnios não faltarão.


Chego sábado na Ilha do Governador para emplacar o dito cujo, único reduto que conseguiria fazê-lo com a documentação sem o diacho da autenticação que cobraram a partir de sexta.


Quase 10 da manhã, lá estou eu na entrada da Ilha, um trânsito INFERNAL. Os sinais estão doidos, é a primeira coisa que percebo.


Chego no DETRAN, embico o carro e a mulher olha pra mim com cara de tristeza e informa: moça infelizmente hoje não vai dar. Por causa da chuva de ontem estamos sem sistema e pra fazer emplacamento só com ele funcionando.


PQP?


Como se tal não bastasse, saindo dali nem o insufilm consegui colocar. Acho que todo mundo que não consegui emplacar pensou na mesma coisa que eu. Mas consegui colocar o rádio. Pelo menos isso.


Mary

Monday, March 16, 2009

Madame Mary lê o futuro

Estava eu sentada esperando meu atendimento no consultório do dentista. Como vai demorar bastante, pego uma daquelas revistas típicas de consultório (Caras, Contigo, etc) e começo a folhear para me atualizar sobre os acontecimentos no mundo banal.
Eis que me deparo com a notícia: Angelina Jolie flagra Brad Pitt fazendo massagem na babá dos filhos gêmeos. Faz um barraco monstruoso e assusta as crianças.
Deixo registrado para os anais das previsões charlatãs que se isso der em divórcio, não dou 6 meses para ele se separar e voltar pra mala da Jennifer Aniston.
Que milagrosamente aparecerá engravidá-la alguns meses depois. Ou melhor dizendo, ela vai "engravidar" dele de forma involuntária.
Da parte dele, claro.
Mary

Friday, March 13, 2009

Freaky Friday


Sexta-feira 13 pra mim sempre foi um dia qualquer.

Coisas boas já aconteceram pra mim em Sextas-feiras 13. Inclusive no mês de março.

Mas hoje está anormal. Começa que quando eu estava bem no MEIO deste post... o Mozilla fecha do nada e quando reabro... nada salvo. Isso deve ser porque não tenho fé, e só Jesus salva (ha ha ha diriam os piadistas retardados ao meu redor). Mas tudo bem, lá vamos nós.

E hoje em tese é um dia especial. O dia da minha libertação, da minha alforria. E antes que alguém pergunte, não, não estou saindo de casa, não terminei namoro, nem me divorciei, também não estou enterrando a sogra hoje.

Depois de muitos anos, finalmente me permiti um antigo sonho, que há muitos anos venho adiando: um carro! Liberdade para ir e vir, viajar, agora nada me segura, nem aquele cachorro velho que mora comigo. Meto a mala na mala e sumo!

Ms enfim, depois de uma semana estressante (contarei em outro post) achei o carro dos meus sonhos (ou quase já que não tem vermelho nesa droga de cidade) e lá vou eu, hoje, buscá-lo.

Estou tensa a semana inteira, contando horas. Resolvendo papéis, seguro, toda aquela bur(r)ocracia afinal o rapazinho é virgem... enfim.

Amanheço hoje, tensa, nervosa, suando frio. Dor na barriga. Algo estranho pra que nunca ficou assim nem com namorado, apesar de ter achado que todos eles eram o amor da minha vida. por uns 3 meses no máximo.

Saio da cama para ver as horas e antes disso aparece o calendário: sexta-feira 13.

Levanto e resolvo: acho que vou malhar pra dar uma relaxada. Quando estou por sair e vejo meu cachorro me olhando com cara de piedade "eu sei que você me leva depois mas me leva agora" e penso não posso atrasar e ele está acostumado.

Quando encosto a porta só ouço aquele sonzinho... abro a porta e ele está lá, parado, pernas abertas e o xixi caindo e a típica expressão: não deu... volto, cubro tudo de jornal, seco voando e saio pra academia. Agora ele TEM que aguentar.

Hoje estou razoavelmente mau-humorada por causa de tensão. Já saio pisando duro e nem respondo a piada sem graça do porteiro com o tradicional vai à... mas enfim saio e vou pra academia. Me esforço pra não fazer cara feia das piadinhas tradicionais da professora que deveria estar animando meus ânimos. E tensa pois estou ficando resfriada e o naris começando a escorrer me enlouquece.

Acabo a aula, vou ao banheiro lavar o rosto e... vejo a cena bizarra. Uma daquelas coroas dondocas que adora expor o corpitcho em roupas ridículas está usando o banheiro de porta aberta!. Faço expressão de que não vi e ela ainda se explica: desculpa é que está tanto calor e aqui está tão abafado!

Encosta a porta e dá descarga uma vez, duas, três... é isso mesmo que você está pensando! E de porta aberta é FODA!

Mas enfim, vou malhar e não adianta muito. Tensa.

Chego em casa, levo o dog na rua, volto, BANHO. Abro o chuveiro, lavo a cabeça e... cadê toalhas? Shampoo? Minha faxineira se recusa a guardar as toalhas no banheiro e a deixar shampoo no box e lá vou eu molhar a casa inteira. Chegando no banheiro um tombo BÁSICO. Beleza, agora tenho um hematoma na bunda no mínimo.

Me arrumo e começo a catar minha papelada loucamente. Não, ela não pode deixar os papéis onde estão, ela TEM que tentar advinhar aonde guarda!!

Acho as coisas a saio batendo a porta de casa e quando estou quase no trabalho... esqueci o celular. MERDA. Tenho que voltar em casa e lá vou eu.

Enfim, faço um novo checkup na bolsa inteira, papelada, respito fundo e saio de casa.

Chego no trabalho. Hoje tme festinha e chá de bebê e, pra fazer graça, colocam tudo no cafofo mais apertado pra parecer mesmo um curral cheio de doidos famintos. Assim que passa a primeira leva, faço um sanduichinho, pego um pedaço de bolo, coca-cola e volto pra minha emsa quietinha e deixo o povo confraternizar. Tá confesso, volto e pego mais eu tô com fome e ansiosa.

Daí a pouco chega meu chefe na mesa, sério e diz:

- Olha sabia que qauando você vai à motel eles anotam a placa do seu carro?

- E daí?

- Aproveita que o seu tá sem!

Não creio. Não creio. Não creio.

Conto os minutos pra chegar a hora de ir e... a carona ATRASA. Que RAIVA. MORTAL! Não vou emplacar esta merda hoje!! Merda não, o amor da minha vida!

Mas ele chega, partimos correndo, lá chegamos. Ele está me esperando, E pisca pra mim!!

Entro nele, faço testes, pego as explicações.

Na hora de ir embora, pegando a papelada pro emplacamento... ah mudou a regra! Como assim? Pois é, agora tem que ter cópia autenticada do contrato. Hum deixa advinhar vcs não tem essa cópia? Não e nem o contrato ele responde. Ahhhhhhhhh ficando vermelha....

Ai ele pede um minuto, faz umas ligações e diz que o contrato está em outra loja ali perto e CORRE para buscar o dito cujo mas não está autenticado. Eu fico ROXA. Não vou sair com o carro dando na pinta que é novo.

Nervosa, decepcionada, cabeça baixa, é a sexta-feria 13 só pode!

Alguns minutos depois o vendedor me chama: na ilha dá pra fazer "à moda antiga" mas tem que ser amanhã! Tô dentro!

Pego a chave trêmula, dou a partida e... rumo à liberdade!

Nem o trânsito medonho tira meu humor agora. Chegando na Leopoldina faço mil planos: pra onde irei mais tarde? Eis que começa a cair umas gotinhas...

Acelerei ate em casa e foi só chegar pra cair o dilúvio. Espero que não alague o Rio de Janeiro. Afinal, até onde sei seguro não cobre afogamento.

Amanha será um dia cheio.

Mary

Thursday, March 5, 2009

Rir para não chorar...

As 3 fases na vida de um homem...

SOLTEIRO


CASADO


DIVORCIADO...


Obrigada Tatiana, estava precisando rir hoje.

Mary

Tuesday, March 3, 2009

Amor, paixão, cumpicidade, sinceridade: Cadê vocês?


Amor, sempre ele, tema recorrente na minha vida.

Sim, Mary tem sentimentos. Ama, chora, sofre como qualquer mortal.

Ela se relaciona e tenta fazer isso da forma mais transparente possível.

Sinceridade com os outros, consigo mesmo, com a vida. Onde ela anda?

Sim, este é mais um daqueles post reflexivos que você costuma ler por aí, o clássico, pós-quebra-de-um-possível-relacionamento. Só que aqui eu não escrevo choramingos nem lamúrias. Faço auto-análises críticas para expiar minhas dúvidas, culpas e seguir em frente.

Com o passar dos anos e o término do meu último relacionamento de fato e de direito por assim dizer, posso dizer que, de certa forma, sofri algum tipo de mutação. Sim, mutação, pois o que tem acontecido comigo definitivamente não deve ocorrer com pessoas que são nativas deste mundo.

Eu custo a me apaixonar, mas quando isso ocorre, jogo de cabeça. Se é pra ser, que seja direito. Só sei ser assim. Não espero recíproca, mas tolerância, até porque a velocidade de homens e mulheres nunca coincide. E sou do tipo que prefere não ter a ter pela metade.

Só que por mais que eu goste e me sinta bem quando estou com a pessoa, se a postura dela longe de mim não me dá segurança... eu não me sinto bem. Isso me deixa angustiada e quando isso acontece eu forço a barra mesmo para até a pessoa tomar uma posição ou romper.

Sim de propósito. E não me tranco em casa afundando em depressão por dias, semanas, meses. Me concedo no máximo um dia de luto.

Acho que se a outra parte se importa com você e quer estar contigo ela deve fazer um mínimo de sacrifício. E isso não significa te ver todo dia, ligar loucamente, mandar um milhão de emails. É saber que com gestos simples se faz presente e se preenche a necessidade de uma pessoa. Oi, Bom dia, boa noite, como foi seu dia no final de um dia estressante fazem milagres e arrancam sorrisos até mesmo do mais massacrado dos seres humanos.

Quando isso ocorre e a pessoa não entende, invariavelmente, fico triste, frustrada. Sinto falta dela, mas sinto alívio. Acaba o tormento puro e simples. Choro uma noite para no dia seguinte estar bem. Minha cota de sacrifício tem limites e certas coisas eu não consigo tolerar como ausência, silêncio, dúvidas.

Às vezes você escuta algo do tipo: vamos devagar, com calma, só que tudo é relativo. O meu devagar com calma pode não ser o mesmo da pessoa, e aí? Sou ótima para trabalhar com limites, desde que eles existam e sejam bem definidos. Eu sequer atravesso fora de uma faixa de pedestres, como sustentar uma relação com limites invisíveis sem ultrapassar os SEUS limites?

Há anos que não corro atrás de ninguém. Não me exponho, não sorrio, não me mostro. Não me coloco à disposição do "mercado". Fujo. Desde então, todos os relacionamentos que tive nasceram por causa de pessoas que vieram atrás de mim, por qualquer motivo que seja. Isso porque eu dificulto. Aterrorizo mesmo, falo logo todos os meus podres, que pra mim não são podres mas para homens. Digo até mesmo que ronco, hoje em dia até com mais orgulho, depois que descobri que seres roncadores sobreviveram na seleção natural, o que me torna um ser "superior".

Louca? Não. Seleção.

Muito fácil para o homem se encantar pro uma moça bonita. Mas nenhum se arrisca, por mais bela que ela seja, se ela for mau-humorada. São poucos os que se atrevem a tentar desenterrar um pouco mais sobre ela. Poucos realmente se importam em conhecê-la, e menos ainda são aqueles que se dispõe a entendê-las. São pessoas como esses últimos que acabam namorando comigo.

Obviamente nenhum deu certo afinal, não estou com mais nenhum deles, mas foi bom enquanto durou. Terminou por diversos outros fatores, afinal, um relacionamento não subsiste somente de amor e de atração, existem variáveis diversas a serem equacionadas para que o amor seja viável: planos, sonhos, rotinas.

O que me choca, às vezes, são as promessas vãs que se faz para conquistar alguém.

Imagine uma pessoa que não esconde suas carências, seus anseios, seus medos, suas necessidade de atenção, seus sonhos. Eu sou assim, eu digo mesmo e sou cara de pau, quando a pessoa se engraça um pouco mais, dando a entender que quer tentar "algo": olha só você tem certeza do que você está dizendo? Mesmo sabendo que eu sou como sou? Você vai encarar mesmo?

E ainda faço a pseudo-ameaça de que tenho tudo registrado em txt em desfavor do ilustre candidato que invariavelmente transmite confiança e medo algum de encarar o rojão que lhe é proposto. Ninguém dá para trás.

O contato é diário, mensagens diariamente a qualquer hora do dia. A pessoa conhece seus horários, sua rotina. Aparece nem que seja pra dar boa noite , não dorme sem essa. É capaz de conversar com você por horas a fio, inclusive em horários em que sabidamente não deveria estar fazendo isso, mas o clima acaba permitindo o deslize.

Aí acontece, tudo é um sonho, encontro atrás de outro, sorrisos, ligações, pequenas promessas. Acaba o feriado e volta-se a rotina. Não será como antes, afinal, a conquista se concretizou, hora de colocar o pé no chão certo? Contato sim, mas vamos pegar leve, afinal, somos adultos, trabalhamos, temos responsabilidades.

Só que de repente a coisa parece fria. O contato some, do nada. Final do dia, uma ligada pra saber se está tudo bem (está sim, claro, tive um dia enrolado!), alguns poucos minutos depois a ligação termina. Infinitamente menos do que era na fase pré-conquista mas OK.

Só que isso se repete ao longo de uma semana inteira e eu não abro a boca. Fico na minha. Na quinta a pessoa fala sobre sair na sexta, ótimo. A gente combina amanhã. E no "amanhã", quase na hora de ir embora, manda a gracinha: "até segunda". O sangue ferve mas antes que possa explodir vem aquele sorrisinho de "estou brincando", combina-se algo, derreto por dentro e tudo fica certo. O final de semana transcorre perfeito. Como a vida deve ser.

O mesmo se repete na semana seguinte e eu começo a me sentir estranha. Tudo bem que o contato anterior era excessivo, mas a falta dele me incomoda e eu não me sinto à vontade para ligar, então, mando um email aguardo retorno, fico na minha. Um dia inteiro sem contato.

Dia seguinte a pessoa aparece, conversa amenidades e fica por isso mesmo. Fala de sexta, por mim OK. E passa a semana assim, agonizante, me torturando, querendo entender. Já tomei mais iniciativa do que gostaria. Passo o fim de semana ainda tensa, relaxo um pouco, mas quando a semana recomeça... volta tudo. Não dá, simplesmente não dá.

Tento expor o que estou sentindo e a pessoa me diz que devemos ir "com calma" e eu pergunto com calma quem cara pálida? Acaso estou pedindo mais do que disse que poderia pedir ou precisar? Defina calma, defina limites. Ele diz, vamos vivendo, um dia de cada vez, quero estar com você. Quero te conhecer, não tem outra pessoa em minha vida, fique tranquila.

A agonia me tira a fome, o sono, a tranquilidade. Quero entender o que houve. Não consigo falar, não consigo me expressar. Passo uma segunda feira horrenda, cheia de dúvidas, completamente angustiada e desconcentrada. Decido: hoje eu vou desabafar.

E desabafo. Espero ele entrar em contato e exponho tudo: quais eram as minhas expectativas e as expectativas que ele gerou. A situação que tínhamos antes e a que vivíamos agora, o que eu esperava e tudo mais. E que ir devagar não era um problema, mas que eu precisava defiinr limites, saber até onde podia ir pra me sentir tranquila.

"Eu gosto de vc, adoro estar contigo, mas sinceramente não sei se estou pronto ainda". Pronto para quê? Pra sair com alguém e conhecer? Então como vc comete a loucura de sair com alguém como eu, sabendo como sou? Não deixei claro? "Sim, você deixou claríssimo! Você é encantadora, não consegui não tentar, mas não posso dar o que você quer". Então porque tentou diachos? "Não sei. Acho que não estou pronto para você. Talvez não esteja pronto para ninguém." APLAUSOS!

Queria entender como não consigo sentir raiva. Avisei que deletaria meus acessos, mas que ele continuaria tendo acesso a mim. E só fiz isso pois ele demonstrou mais dúvida do que falta de sentimento, mas tenho minhas dúvidas. Só não avisei que o "acesso" não duraria mais que 72horas, tempo máximo que meu coração aceita retratações. E eu não mando mais recado, não dou notícia, não ligo, desapareço da vida da pessoa mesmo.

Chorei, chorei muito. Conversei com n amigos (obrigada amigos!), desabafei, chorei de ficar com olhos inchados, queria entender. Isso antes da conversa derradeira.

Eu gosto de atenção, não nego. E eu PRECISO me comunicar. Seja por telefone, por mensagem, bilhetinho, fax, eu sou um ser que se comunica. A pior coisa que pode me acontecer é me isolar do mundo das pessoas. E a coisa que mais me machuca e enlouquece é o silêncio.

Quer por suas chances comigo abaixo? Fiquei um dia sem falar comigo sem um justo motivo. Eu desmorono, perco meu centro, me perco. Coloco tudo abaixo mesmo em prol da volta da minha sanidade mental.

Acho ridículo pessoas que se rastejam, correm atrás lamentando, rastejando, ainda mais quando ouvem um : eu não gosto de você ou eu não te quero mais. Eu mesma sofro até hoje com um que me persegue, mesmo depois eu tendo feito de tudo para deixar claro que tinha morrido. Ignoro ele há MESES e ele continua mandando recadinhos.

Aliás, ele passou por mim ontem na rua e me viu. Antes da conversa derradeira. Às vezes não me pergunto se não foi ele de novo. A maldição. Como se fosse um gato preto atravessando a minha vida.

A única pergunta que não quer calar é o porquê dessa diferença na mecânica da paixão e amor de homens e mulheres. Mulheres apanham, apanham mas estão sempre abertas a começar de novo, querem o relacionamento, querem arriscar e se não der termina. E eles com medo de sequer começar. E depois se dizem o sexo forte!

Só sei que acordei hoje com o coração frio, a cabeça idem. Tomei meu banho, me arrumei, fiz tudo como de costume, cheguei mais cedo ao trabalho e resolvi escrever. A angústia se foi. Os medos e as dúvidas idem. Não senti falta dos telefonemas nem de receber emails dele. Minha vida segue.

É o fim. Ou um novo começo.

E como dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval... Feliz ano novo.

Atenciosamente,






Friday, February 27, 2009

Pagando Mico no carnaval.

Manhã, um desses dias de carnaval.

Como acordo mais cedo mesmo, não me resta outra opção além de acordar antes que o resto da casa acorde e lá vou eu: arrumar louça do dia anterior, guardar as coisas espalhadas pela casa, levar cachorro na rua e ir ao mercado.

Compro as coisas que preciso, compro pão e quando estou pensando em ir para a fila, passo os olhos nas gôndolas próximas aos caixas e respito fundo.

Uma das coisas mais desagradáveis para mim, como mulher, é ter que comprar preservativos. É constrangedor e muito pior que homem comprar absorvente eu garanto. Mas tem horas que não tem jeito. Homem esquece, tem preguiça, sem contar aqueles que nunca tem de propósito, achando que você vai "ceder" na hora H.

Me posiciono estrategicamente para passar e pegar uma embalagem da forma mais discreta e rápida possível. Avanço, me abaixo para pegar e quando estou subindo quase me choco violentamente com uma senhora, curvada ao meu lado. Mais vermelha nessa hora impossível. A dita cuja querendo ser discreta mas não conseguindo pergunta:

- É que eu vi que vc ia pegar alguma e queria saber... qual destas é melhor? É que queria levar pra casa e deixar para o meu filho...

- Senhora não faço idéia. Como a senhora pode ver estava tentando ser discreta e não ser reparada, por isso peguei qualquer uma. Pra mim é tudo igual. Se tiver alguma diferença, ele que se digne a vir escolher e me poupar disso.

Concordando comigo ela se vira, pega qualquer uma e vai em outra direção.

Me dirijo ao caixa, escondendo o pacote entre as compras, ainda mais depois que aparecem dois rapazes atrás de mim. Coloco tudo discretamente no meio da esteira, colocando as mesmas bem no meio das compras pra não ter erro.

Os rapazes pousam suas compras imediatamente atrás e coloco o triângulo separador por via das dúvidas.

Chega a vez de computar a referida mercadoria e sem sequer olhar pra mim a caixa pega, vira pros rapazes atrás de mim e pergunta: é de vocês? E eles rindo negam com a cabeça.

A caixa se vira pra mim e pergunta: ah, são duas? Eu respondo, se estão bem no meio das minhas compras e *escondidinhas* eu acreditaria que sim não? Ou é proibido mulher comprar esse tipo de mercadoria?

Ela pede desculpas e coloca num saquinho, e coloca dentro de outro saco de compras. Porque precisa ser tão complicado?

Um dia tomo coragem e peço a ele que inclua este item na lista de compras do mês. Afe.

Saturday, February 7, 2009

Finais de semana que prometem

Começou mal pois meu programa de sexta furou.

Por uma questão de logística (e minutos), não conseguimemkos os ingressos desejados para o cinema e acabei indo para casa. Rotina mode on, fui dar a ajeitada básica na casa, arrumar as coisas espalhadas, fui ao shopping comprar um presente de aniversário.

Meu Deus me explica: o que tem na porta do shopping que faz com que um TURBILHÃO de adolescentes fique lá, parado, convfersando, atrapalhando a passagem?? Eles podiam estar lá dentro, espalhados, curtindo o ar condicionado mas não, ficam ali atormentando quem entra e sai.

Me considerei com sorte pois acabei comprando pouca coisa além do que ia comprar mas coisas que, no final, precisava. Resisti às maiores tentações.

Aliás, descobri que devo estar ficando velha. Mulher que entra no shopping e fica mais ouriçada com lençóis e edredons do que com roupas e sapatos em liquidação só pode ser sinal de velhice.

Me estressei tanto com a turba no meio do caminho que optei por pegar um táxi até me casa. Espero um dos taxis da cooperativa e vem um... velhinho. Nada contra o pessoal da terceira idade, mas pelo amopr de deus, como consegue fazer um trajeto de menos de 10 minutos em 20? E fazendo comentários sobre a vida, a juventude perdida, reclamando da esposa, mas enfim...

Cheguei em casa, paguei o taxi voando nem pedi troco. Subi. Fui na rua uma ultima vez com o cachorro (ainda bem que fiz isso), guardei tudo. Coloquei o torrent pra baixar (aha, finalmente verei meus seriados favoritos!) e fui me deitar.

E acabou meu sossego.

Já contei que tenho um stalker? Sabe a pessoa errada na hora mais errada possível? Pois é.

Apesar de não vê-lo há quase um ano e ele não ter qualquer notícia minha nem ouvir minha voz pelo menos desde junho, ele não me esquece. PQP.

Bloqueei todos os acessos que podia, mas sinceramente, mudar meu celular eu não consegui, não vou mudar meu número por causa de um pulha. E, de tempos em tempos, ele me escreve alguma msg, além de aniversário, natal, ano novo, dia dos namorados (aaargh!).

Bem, quase meia noite eu já dormindo e ele escreve:

"Não consigo dormir hoje. Pensei em você e fiquei com saudades."

Me controlei mais uma vez pra não respoder um F! Então, mentalizei um F! bem grande pra ele e fui dormir. Algum tempo depois outra msg:
"Sei que provavelmente você quer mais é que eu me F! mas ainda assim saiba que eu tenho saudades!"

Senti raiva e alegria ao mesmo tempo. Ainda bem que ele sabe! E dormi.

Hoje de manhã acordei, fui no mercado, depois corridinha. Chego em casa outra msg:

"Te vi correndo no maracanã hoje. Que vontade de descer do carro e ir falar com você. Seu cabelo tá crescendo, você está cada vez mais bonita."

Me segurei pra não tacar o celular na parede, mentalizando: "tá certo que ele foi de graça mas o infeliz não merece causar esse transtorno a você!". Me acalmei e pedi desculpas ao pobrezinho.

Vou tomar um banho e me arrumar e sair pra almoçar com amigos e depois prainha, talvez um bloco mais tarde. Aliás acho que vou viajar hoje à noite mesmo. Sumir.

Atenciosamente,


Monday, February 2, 2009

Falando Sério - Saúde da Mulher


Todo mundo certamente viu, acompanhou e ficou chocado com o drama da Mariana Bridi.

Para quem não estava acompanhando, trata-se de uma moça de 20 anos, modelo, que pegou uma infecção urinária BIZARRA que não foi bem cuidada e ela se espalhou pelo sangue e com isso, provocando microcoágulos que entupiram os vasos sanguíneos, impedindo a circulação, o que ocasionou necrose nas extremidades.

A menina foi sofrendo amputações sucessivas para tentar conter e infecção e salvar sua vida: mãos, pés, parte do estômago, até que a mesma descansou. Mais de TRÊS SEMANAS de sofrimento e a menina LÚCIDA, vendo tudo acontecer. Nunca senti tanta pena de alguém na minha vida.

Em primeiro lugar faz-se necessário alertar que o que aconteceu com ela não é tão comum. Primeiro, ela procurou atendimento médico logo de cara, mas não investigaram a bactéria. Ela foi vítima de um tipo de bactéria que não é a que comumente causa a doença, estava com a saúde debilitada e ante tais condições, o quadro se agravou.

Mas é fato de que esta doença é comum, atinge a maioria das mulheres (75%) vez por outra e é fácil de cuidar; o problema é que muitas vezes deixa-se a doença avançar a um estágio mais grave e isso gera uma série de transtornos.

Resolvi escrever sobre isso hoje pois tenho várias amigas que passam por isso e muitas vezes não dão a devida atenção como eu não dava. Já tive algumas poucas vezes, mas sempre, sempre (não me pergunte porque) eu esperava chegar na fase insuportável para procurar o médico.

Podendo simplesmente tomar antibiótico e continuar a vida normalmente, em sempre acabava entrando no anti-inflamatório e analgésico por causa das dores horríveis. Um ou dois dias de medicamento fazem MUITA diferença. Mas, se o corpo está debilitado, ou se o diagnóstico chega tarde, a situação se complica e pode levar à morte SIM, segundo li em algumas reportagens. Não se esqueçam que é uma infecção.

Apenas para ilustrar, falo da última vez que isso aconteceu comigo. Comecei a sentir o sintoma inicial, aquela ardenciazinha numa terça pela manhã.

Como no final do dia ela não havia avançado, pensei assim mesmo: estava com ginecologista marcada para quinta, ia esperar até quinta para conversar com ela e pegar a medicação adequada, um delay até razoável, para quem já esperou estar com incômodo por módicos 5 dias.

Quarta feira no final do dia, ia saindo para aula na academia. quando comecei a sentir uma dor que parecia uma agulhadinha de leve nas costas. De repente as agulhadinhas pareciam mais profundas e o intervalo foi diminuindo e as dores aumentando. Voei para casa peguei minha bolsa documentos e fui para o hospital.

Entre essas agulhadinhas e a chegada no hospital não se passaram nem 30 minutos. Cheguei lá pálida, lábios roxos, mal conseguindo ficar de pé e fui imediatamente colocada para dentro, agulha na veia, medicação descendo. Nem precisei falar muito. uscopan, anti-inflamatório, antibiótico e a dor só parou na morfina. Não é brinquedo não.

A infecção espalhou e foi para o rim segundo o médico e por isso as dores absurdas e alucinantes. Morfina então foi a pior experiência na minha vida, o coração acelerou, visão turva, achei que ia morrer, mas foi a única coisa que segurou a dor. Passei a noite na enfermaria, desmaiada, dia seguinte saí com a prescrição do anibiótico e não tive mais nada, NADA. Trabalhei normalmente, só fiquei obviamente cansada.

Sorte que eu me toquei do que acontecia e fui logo para o hospital. A dor é insuportável e se tivesse ficado em casa a coisa poderia ter se agravado e eu não estaria aqui contando isso para você. Meu irmão já teve uma vez e estava so em casa e me ligou, fui buscá-lo ele mal conseguia ficar de pé por causa da dor. Infecção renal é coisa bem séria.

Por isso fica aqui a história, o aviso, e o conselho: pra quem teve e pra quem ainda vai ter: Não dê mole. Não espere. Não é o tipo de doença pra se marcar consulta. É pra voar mesmo pra emergência pegar a receita e comprar logo o remedinho. E peça sempre que façam o exame de sangue para checar a bactéria.

Bebam muita água SEMPRE. Não sei porque mais brasileiro tem mania de não beber água, eu aprendi na marra.

E pras meninas, nada de ficar segurando. Nosso design infelizmente não é prático como o dos homens e por isso a gente sofre mais que eles. Evitar roupa apertada muito tempo nem preciso lembrar né?

Graças a Deus esse tipo de coisa acontece mais no verão. Viva as saias e vestidos.


Sunday, February 1, 2009

Piadinha


O Bombeiro volta para casa, depois de horas combatendo o fogo, doido para dar um bimbada com a esposa. Tudo encontra-se na mais completa escuridão e a esposa está choramingando na cama, reclamando de dor de cabeça. Tira o uniforme no escuro mesmo, fazendo carinhos na mulher.

- Não, querido, hoje não. Estou para morrer de dor de cabeça. Nem acenda a luz, que qualquer luzinha me irrita.

- Então, querida, vou pegar um remedinho na sala.

- Nãão, amor. Não me acenda nenhuma luz, por favor. Vá até a farmácia do seu Zé e compra um remédio pra mim, vá. O marido, assustado, veste-se no escuro mesmo e corre para a farmácia:

- Seu Zé, me vê um remédio para dor de cabeça, urgentemente, que minha mulher está para morrer, gemendo na cama.

- Tudo bem, mas me responda uma coisa: o senhor não é bombeiro?

- Sou, e daí?

- O que você tá fazendo vestido de PM?

*Pano rápido*

Wednesday, January 28, 2009

Diário de uma viciada (ou reflexões sobre a cafeína)


Cafeína está em alta. O grão dos deuses, o estimulante mor dos cansados e dos estudantes, é sempre alvo de polêmicas. Faz bem? Faz mal? Todo mundo toma!

Aqui no Brasil então...

Uma xícara de 30ml de café forte contém 200mg de cafeína. Os americanos consomem em média 500mg de cafeína por dia, o que corresponderia a 2,5 cafezinhos por dia.

Hahaha eles nem sonham que isso aí não é NEM a primeira xícara do dia de muitos brasileiros.

Recentemente conheci um blog chamado Cafeína, onde havia um vídeo falando sobre características da cafeína e como ela afeta nosso metabolismo e tira nosso sono, nos dando energia. Ali diz que a molécula da cafeína é muito parecida com a adenosina, substância que quando absorvida pelos neurotransmissores, dá sensação de relaxamento. Quando a cafeína entra na competição e é absorvida promove um pico de energia que pode durar até duas horas.

Artigos recentes dizem que pode causar alucinação. Pode causar dependência. Pode deixar as crianças mais espertas e facilitar o aprendizado. O que é verdade? O que é mito?

Dependência e vícios são conceitos relativos. Tudo em excesso faz mal e existem vários tipos de vícios. Uns fazem mais mal que outros evidentemente. Outros fazem mal mas as pessoas ignoram por conveniência. E tem aqueles que te fazem mal sem você saber.

Como toda pessoa normal, tive minhas cotas de excessos na vida, os pequenos vícios; aqueles que não são exatamente reprováveis socialmente mas que, de uma hora pra outra você acaba percebendo que vive melhor sem eles e, então, faz um exercício de sacrifício para expurgá-lo da sua vida ou, então, enquadrá-lo de forma tolerável.

O viciado geralmente não aceita que é dependente. Ele nega. Aquilo que dá prazer não pode ser tão pernicioso, principalmente quando não se trata de álcool e droga, os únicos vícios que realmente saltam aos olhos de todos, até mesmo das vítimas diretas.

Eu descobri que era viciada, por acaso. Pelo meu café. Ou melhor, pela cafeína.

Inconformada com o sobrepeso que não voltava atrás e com medo de retornar à minha condição "fofa" de uns 8 anos atrás, ao invés de partir pros remédios como todo mundo faz (losers preguiçosos), procurei uma nutricionista, na internet. Encontrei uma interessante, com especialização em doenças metabolicas (eu tenho hipotireoidismo) e em nutrição esportiva (faço muita atividade mas não estava conseguindo emagrecer).

E lá fui eu nela, depois de muito rezar, no dia 2 de janeiro de 2008, a resolução para o então ano novo: vou exorcisar os kg a mais aprendendo a comer. Vocês vão sair deste corpo porque ele não te pertence!

Cheguei lá resignada, cabeça baixa, pensando cacilda, ela vai dizer que só como besteira e vou viver a base de ervilhas...

Chego lá e sou recebida pela mesma. Moça jovem aparentando bem menos idade e em ótima forma. Excelente credencial para uma nutricionista. Afinal, como confiar numa nutricionista gordinha, com todo respeito? Chego, relato minha rotina diária, minhas atividades físicas e mais ou menos minha alimentação.

De fato, muitos dos maus hábitos foram extirpados quando comecei a tratar a tireóide e emagreci. Com base nas orientações da endocrinologista, cortei radicalmente gordura e demais porcarias, biscoitos recheados e tal e, com os anos, aprendi a comer melhor pois tinha mais oportunidade e opções na rua do que em casa.

Após a entrevista, a tortura básica das medidas. Como uma pessoa de 63kg e 1,67 m pode ter 33% de gordura? Fala sério. (E era verdade, pois a babaca aqui foi pagar pra fazer uma nova avaliação na academia e SIFU.)

Ao final, dieta pronta, 7 refeições por dia (aonde vou enfiar isso tudo? segundo estômago?) ela só me restringiu 3 coisas: leite e seus derivados pois eu certamente era sensível, sal porque eu consumia demais, evitar sucos cítricos e... cortar qualquer coisa com CAFEÍNA.

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Minha mente congelou no tempo. Vi minha vida passar por diante de meus olhos...

Três anos de idade.

Me lembro claramente das pessoas brigando comigo e eu me divertindo no café da manhã. Eu nunca gostei de leite e convivendo numa família mineira,o café CHEGA até você. Alguém me passou a xícara com o líquido preto e docinho e amei de cara. Pedia. Depois implorava. Chorava.

Tomava café com leite contrariada mas logo depois pedia café puro. Subia em cadeiras para chegar na garrafa do primeiro café coado, o mais forte.

E era assim de manhã, de tarde e de noite, já que nunca tivemos hábito de jantar em minha casa.

Na escola, a minha lancheira tinha sempre aquela garrafinha térmica, 600 ml com... café com leite... que antes do ginásio era de café purinho.

Pausa para contas: se 30ml de café = 200mg de cafeína, logo 600ml de café = 4000mg de cafeína. 500mg? Hahahahaahhahaa. E nem pus nessa conta a xícara do café da manhã e a xícara do último lanche da noite.

E assim café foi uma constante na minha vida. 3 xícaras de chá de afé por dia, fora os cafézinhos que se toma por aí. Quando começou a onda do café expresso então... era um atrás do outro.

Cafeína sempre me pareceu algo útil: ajuda a drenar celulite, estimulante... em excesso pode fazer mal passar taquicardia. Ha, comigo nunca tive nada disso. Sempre fui agitada desde antes de o café entrar na minha vida.

Café é um ritual.

Quando passei a morar sozinha, café era uma das poucas coisas que sempre tive em casa, em quantidade e variedade. Tenho uma cafeteira elétrica, duas italianinhas e, por vezes, gosto de fazer à maneira clássica, com coador de pano. O cheiro e o sabor me inebriam.Me relaxam. Me fazem sorrir...

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Pára tudo! (Do verbo parar e foda-se o acordo ortográfico)

Tem uma louca querendo me cortar o café??

Acordei do transe.

Ela explica que eu tomo muito café, que meu estômago está sensível, precisa se recuperar, dentre outros blá blá blás que não me recordo.

Além disso, o café produz um estado de excitação que prejudicaria a secreção do estômago. Mas o que tem de mal nisso? Não é assim queele funciona??

Como não sou vaquinha de presépio e não pago por coisas inviáveis, trato de negociar com ela, assim como faço com alimentos. Digo que não dá, amo café, é minha vida. O que beber no café da manhã? Sucos eu só bebo cítricos. Chás também tem cafeína (ah devo evitar guaraná, mate, coca-cola e chocolate em excesso). Eu não vou conseguir.

Tentando chegar ao meio termo e vendo que não ia ter jeito, ela libera os sucos cítricos, exceto laranja, até aí OK, esse realmente não gosto e me faz mal.

Iogurte ou leite de soja? Não obrigada odeio ambos na versão normal, não quero na versão soja. Melhor pra mim, diz ela, pois esses dois fazem muito mais mal do que o comum e vai me ajudar muito, já que terei que diminuir sensivelmente derivados de leite da minha vida, após uma dieta sem os mesmos, radical por 2 meses.

E chega no café, não dá pra abrir mão. TRÊS xícaras de chá cheias de café mais cafezinhos não dá! Então proponhos, vamos reduzir aos poucos. Eu PRECISO pelo menos duas vezes ao dia. Posso diminuir as quantidades, mas não dá pra ficar sem. Imagine, comer ovos mexidos com pão quente sem café?

Então ela libera... duas "meias canecas", da metade para baixo. Mas a última antes das 18:00. Putz vai cortar a antes de dormir? É para você dormir melhor ela diz. Mas eu durmo muito bem! E durmo mesmo, sério. 5 minutinhos conversando com o travesseiro e já estou ressonando deliciosamente.

Começo a dieta numa... segunda feira. Sem grandes despedidas e exageros no final de semana, afinal, não vou morrer, não tenho porque sair atolando o pé na jaca. Acordo, tomo meu MEIO café com o café a manhã. Falta café para terminar a comida. penso, que merda, terei que beber menores quantidades e mais devagar para durar até o final.

De tardinha, lanche da tarde, peço minha xícara de café como de costume mas pela metade. A atendente não entende nada mas atende. Regulo as goladas, curtindo o sabor como nunca e dá tudo certo. Passa o desespero causado pela ausência dos dois cafezinhos que costumava tomar entre o almoço e o lanche. Sem contar o cafezinho APÓS o almoço.

O dia passa, corro para casa que alívio! Me sinto tensa pela falta do café.

O café regular, que tomo todos os dias está no fim, então, nem sonho em comprar mais para não cair na tentação. Melhor só tomar na rua pois posso controlar melhor. Levo o cachorro na rua, vou lavar a louça, tomo banho. Parto para a programação cultural da noite.

São 19:30hs

Sento na frente da TV e nada me anima. Penso na canequinha de café amiga que sempre me fazia companhia.

Desisto, vou ler um livro, difícil me concentrar.

Vou pra internet. Nada de interessante online, poucos emails, não são nem 20:30. Estou com um puta mau humor. Vou é me deitar mesmo.

Entro no quarto, ligo o ar condicionado, pego todos os travesseiros possíveis para tentar suprir esse vazio dentro de mim. Coloco a cama do meu cachorro perto da minha, no chão obviamente. Deito na cama, me enrolo no edredon e espero...

21:00 e nada. Nem um bocejo. Isso nunca me aconteceu antes.

Fecho as janelas e as cortinas. Meu bom e fatal sono, à prova de som e luminosidade está sendo colocado à prova, só pode! Volto para cama, cubro a cabeça, fecho os olhos e simplesmente o sono não vem. Espero algum tempo, pego o celular e puxo pra debaixo da coberta. Abro a tampa e vejo as horas: 22:15! Não é possível!

Passo a noite me revirando na cama. Vou na cozinha, bebo litros de água e de suco de maracujá, mas tudo o que consigo é fazer com que meus rins funcionem exemplarmente e eu vá no banheiro de meia em meia hora.

5 da manhã ligo o foda-se é hora de acordar mesmo. Vou lavar os copos na cozinha, arrumo a cama, cato o que acho espalhado pela casa e quando está perto das 6:00, pego o cachorro e vou para a rua, passeio com ele, vou na padaria, compro meu pãozinho quente para comer com... pastinha de soja.

Nada de mortadela. Nada de manteiga. Ao menos tenho a minha MEIA caneca mal cheia até a metade de café. Enquanto tomo meu café penso, o dia hoje vai ser insuportável. Do trabalho vou pra faculdade onde terei que aturar meus alunos até no mínimo 20:30, o sono vai vir, é inevitável, penso.

17:00, logo depois do meu lanche e sua respectiva MEIA caneca mal cheia de café constato que o sono não veio, nem vai vir. Ligo pra nutricionista entrando em desepero. Ela diz que estou nervosa, que nem deve ser o café, que estou fazendo tempestade em copo d´agua. Me recomenda que compre um maracujina e tome uma colher e depois outro mais tarde antes de dormir. Imediatamente!

Chego na faculdade e por via das dúvidas tomo mais uma. Forte esse troço, tem que funcionar! E em casa tomarei outra! Quando chega minha hora, pego minhas coisas e vou para casa. Chego lá, um pouco antes das 21:00, tomo minha terceira colherada e vou ajeitar tudo. Me sinto levíssima.

Deito na cama às 21:30, costumo dormir às 22:30 mas como o sono está atrasado... eu mereço!

23:00 nada. Deve demorar para fazer efeito.

23:45 me emputeço e tomo mais uma colherada e me viro.

02:00 olho pro relógio e me revolto: PQP ainda não é de manhã!!!!

Vou até a cozinha, olho para o maldito vidrinho e não penso duas vezes: colherada o cacete! E entorno TUDO. Não perco uma gotinha e volto pra cama.

Quando olho pro celular de novo são 02:40. Só pode ser culpa do café! Começo a chorar e vou pra debaixo do chuveiro e fico ali embaixo reclamando da vida, chorando e aumentando a já conta de água altíssima de meu condomínio (espero que meu síndico não seja meu leitor).

05:30, retorno a rotina... fazer o quê? Nem um pingo de sono.

Chego no trabalho e penso: a falta do café definitivamente está me afetando emocionalmente, pode não ser necessariamente a cafeína! Aí tenho a brilhante idéia de ligar pra minha Homeopata, que trabalha com florais de Bach. Eu já vinha tomando alguns por conta de alguns problemas (se você estiver me lendo, pode rir), disse que estava tendo dificuldades para dormir e ela me receitou uns pózinhos e um floral, crente que o problema era o antigo.

Como tem farmácia de manipulação aqui do lado, fiz e comecei a tomar o Rescue Remedy, de hora em hora. Nada de me acalmar, nem do sono vir. Começo a ficar estressada. Sério. Puta da vida, quero socar quem esteja na minha frente!! Porque esta merda funciona com todos e não comigo? Olhei francamente para o vidro e pensei: se não funcionar assim... e entornei. E nada aconteceu.

Aceitei o Game Over por aquela noite e fui pra internet. Felizmente tinha um amigo na Austrália e a diferença de fuso nos proporcionou horas de papo até o dia amanhacer. Deu pra distrair.

8 da manhã quase saindo de casa, encontro uma amiga médica online e peço ajuda. Ela também acha que é emocional e me recomenda comprar um remedinho fitoterápico, o qual deveria tomar 3X, 2 comprimidos se necessário. Disse que me acalmaria.

Lá fui eu, comprei. Comecei a tomar. O dia passa e a tortura prossegue. Não sinto sono, nem cansaço! Como pode? Chego em casa de noite, tomo mais 2 comprimidos e constato que a primeira cartela de 10 comprimidos já foi embora. Leio a bula e lá está escrito: não tome mais que 8 comprimidos por dia. Hahaha!

E começo a chorar copiosamente: estou enlouquecendo, não é possível! Passo horas choramingando e andando pela casa, insone, implorando MORPHEU VOLTA PRÁ MIM!!!!!!

No meio da madrugada acontece o pior: taquicardia, sensação de angústia, o peito aperta e sinto falta de ar. E não não é crise alérgica.

Tento me acalmar mas não consigo: apesar de ser quinta feira, minha mãe não mora no Rio, meu pai e meu irmão são dois bundões hipertensos, se bobear eles infartam antes de mim. Troco de roupa, pego carteira, celular e corro pra um pronto-socorro perto daqui.

Chego lá esbaforida, pálida, os enfermeiros que já me conhecem pois já parei ali por tudo que vocês possam imaginar (crise alérgica, TPM, asma, traumatismo craniano, ombro deslocado dentre outras) me colocam pra dentro e chamam o médico e aos prantos tento explicar o que está acontecendo e minha incapacidade de dormir.

Muito papo e muita água com açúcar me ouvindo bastante antes de mandar qualquer coisa veia adentro ele me olha nos olhos, respira fundo e diz:

- Olha, pode parecer absurdo, mas eu acho que só pode ser o café!

Aleluia um cara sensato! Tinha que ser! Tinha que ser!

Considerando meu histórico cafeínico de longa data ele disse acreditar que certamente eu era dependente da cafeína e que de fato uma redução me faria bem, mas não podia ser radical. Ainda mais em se tratando da última xícara do dia a que mais me relaxava e eu passei um dia inteiro cheia de dor de cabeça, nervosa, estressada.

O que eu estava sentido era nada mais nada menos que uma crise de abstinência. Mas como assim, não uso drogas nem remédios? Cafeína também causa dependência, ele diz, e a falta dela pode gerar o efeito contrário!

Então, chamou um enfermeiro que foi lá fora voltou com... uma mega caneca de café. Preto.

Forte. Cheiroso. BEBE! Obedeci na hora. O café foi decendo e fui me acalmando, me acalmando, me acalmando e já estava sorrindo. Você realmente não colocou nada neste café? Não jurou ele.

Quis voltar para casa mas ele achou melhor que passasse a noite na enfermaria. Foi ver outros pacientes, fiquei conversando com os enfermeiros e menos de meia hora depois estava desmaiada e contando carneirinhos.

Acordo completamente zonza, visão turva, completamente mole. Tento me levantar mas me sinto tonta e caio de costas na cama. Alguém chega perto de mim e pergunta você está bem? Eu digo que estou melhor, mas cansada.

Logo chega o médico, que vem me ver, tira minha pressão, conversa um pouco comigo e diz que não há necessidade de tomar nada e me manda jogar fora o fitoterápico - just in case - já que quando entro em crise, tenho uma *pequena* tendencia a me desesperar quando algo não funciona. Ok!

Olhe bem, diz ele, realmente a quantidade de café que você toma é demais, tenta fazer assim: primeiro corte apenas os cafezinhos, mantenhas as canecas por uns dias. Depois, diminua a quantidade de café em cada caneca, passe a beber pela metade. Aí, tente tirar uma delas e testa até que você consiga tirar a da noite ou mantenha ela conforme o caso. Vai demorar mais, mas será mais fácil, você não ficará ansiosa e se acostumará com a redução mais fácil.

Você definitivamente é dependente (rindo horrores da minha cara) e se estressa com muita facilidade, precisa ser mais leve! Foi só repor o café que você ficou *normal* (OK, deixo zoar porque salvou minha vida) só que não pode deixar o stress tomar conta desesperadamente de você ou fará mal. Agora preciso ir, meu plantão já acabou tem um tempo, estava esperando você acordar para ir.

Como assim me esperando? Mas antes que ele pudesse responder, olho para a parede e vejo que o relógio marca quase oito da manhã... quase oito da manhã? PUTA QUE PARIU!!!

O médico e o enfermeiros me olham com cara de medo, como se estivessem prestes a me amarrar na cama. Calma o que foi, você não está bem? Como posso estar bem? Quase oito da manhã e ainda estou aqui!! Não levei meu cachorro na rua, não me arrumei e tinha que estar no trabalho em 5 minutos! Me dá alta AGORA!

Ele pede calma e diz que não posso sair assim, que ele tem que me examinar antes de me liberar e aviso me libera AGORA ou você vai ver uma pessoa realmente descontrolada e vai ter motivos pra querer me internar!!!

Meio assustado mas ciente de que eu já estava lúcida, me liberou e voei pra casa. Pus o café para fazer e enquanto fazia, desci com o cachorro na rua, voando. Tomei o banho mais rápido de minha vida, me vesti, entornei minha xícara e voei para o trabalho. MEIA HORA ATRASADA. Mas foda-se. Fui tomar o café da manhã e antes das 9 estava em minha mesa.

Anunciei que não estava em um bom dia e fui trabalhar.

E ainda ouvi : Ih, deve ser TPM...

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Nesse mesmo dia, liguei para o hospital e peguei o dia do plantão do médico. Voltei lá alguns dias depois para agradecer e dizer que estava melhor. Segui religiosamente a prescrição médica e consegui reduzir meu café a três cafezinhos por dia, bem menos que as duas meias xícaras liberadas pela nutricionista.

E um deles é religiosamente ANTES de dormir.

Ela que não me leia.

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Mary